**Cotas na UERJ: Impacto e Perspectivas Futuras**
O sistema de cotas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) completa mais de duas décadas de existência, tendo sido pioneiro na inclusão de medidas afirmativas para grupos sociais e raciais em seu processo seletivo, iniciado em 2003. A legislação atual, que determina a aplicação das cotas, foi aprovada em 2018 e será revisitada em 2028.
Recentemente, a UERJ realizou um encontro para ex-estudantes cotistas, com o intuito de mapear suas trajetórias profissionais e promover discussões sobre a próxima fase das políticas de inclusão. Entre os participantes estava Henrique Silveira, que reconheceu a importância das cotas em sua trajetória de superação pessoal e profissional, ressaltando como essa política possibilitou sua entrada na universidade e, consequentemente, na gestão pública.
A expansão das cotas tem mostrado resultados positivos na redução da desigualdade de acesso ao ensino superior no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2022, 11,7% dos estudantes pretos e 12,3% dos pardos possuíam diploma de nível superior, embora esses índices ainda fiquem aquém dos 25,8% observados entre brancos.
Maiara Roque, dentista e ex-cotista da UERJ, destacou que a experiência universitária não apenas transformou sua visão de mundo, mas também a motivou a atuar em sua comunidade. Ao abrir seu consultório na Penha, ela buscou oferecer um atendimento acessível e acolhedor, refletindo sua própria vivência e a importância da representatividade.
Por sua vez, David Gomes, que ingressou na UERJ pelo sistema de cotas em 2011, enfatizou a diferença que a oportunidade fez em sua vida, proporcionando-lhe um caminho profissional distinto. Gomes, um ativista de direitos humanos, defendeu a reavaliação do critério socioeconômico para o ingresso por cotas, argumentando que muitos graduados, especialmente nas áreas de Direito e Medicina, não se encaixam nas limitações impostas atualmente.
A política de cotas da UERJ, regida pela Lei 8.121, de 2018, destina 20% das vagas para cotistas raciais, incluindo indígenas e quilombolas. Também estabelece 20% das vagas para estudantes oriundos de escolas públicas, que devem ter completado suas formações integralmente nessa rede.
Na busca por aprimorar o sistema, egressos sugerem a eliminação de burocracias excessivas para a comprovação socioeconômica e o fortalecimento de pré-vestibulares populares, essenciais para a formação de novos candidatos que enfrentam realidades desafiadoras.



