sábado, março 28, 2026
InícioVariedadesCorpos de vítimas da operação no Rio são encaminhados ao IML

Corpos de vítimas da operação no Rio são encaminhados ao IML

As últimas famílias das vítimas da Operação Contenção, realizada pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, começaram a deixar o Instituto Médico Legal (IML) no centro da cidade após a identificação, na última terça-feira (31), de apenas oito corpos. Os incidentes ocorreram nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio.

Os familiares expressaram um misto de alívio pelo fim da busca, mas também indignação pela tragédia ocorrida. Karine Beatriz, de 26 anos e grávida, esteve no IML para reconhecer o corpo de seu marido, Wagner Nunes Santana, após uma busca de três dias na mata. O corpo foi encontrado em um lago na Serra da Misericórdia.

O corpo, segundo relatos, apresentava um tiro na testa, e as circunstâncias ainda não foram esclarecidas pela polícia. Karine denunciou que muitos foram mortos, inclusive aqueles que se entregaram à ação policial. Nos dias de busca, ela procurou por seu esposo sem sucesso, mas garantiu que o sepultamento seria feito de caixão fechado.

Até o último balanço da operação, 99 pessoas haviam sido identificadas no IML. Dentre elas, 42 possuíam mandados de prisão pendentes e 78 tinham envolvimento com atividades criminosas. Os dados mostraram que 13 indivíduos eram de outros estados, como Pará, Bahia e Amazonas, além de Ceará, Paraíba e Espírito Santo.

O governo estadual justificou a operação como uma medida para conter o avanço do Comando Vermelho, embora não tenha conseguido prender os principais líderes da facção. Em nota, o governo destacou que os integrantes do grupo criminoso recebiam treinamentos em armamento e táticas de combate.

As investigações indicaram que o fluxo financeiro da facção nas áreas afetadas movimentava cerca de 10 toneladas de drogas mensalmente, com os complexos da Penha e do Alemão atuando como centros de abastecimento de drogas e armamentos para outras comunidades.

Apesar das críticas sobre a eficácia e os resultados da operação, que paralisou a cidade na terça-feira, o governador Cláudio Castro defendeu a ação. Segundo ele, o trabalho de investigação e inteligência foi adequado e a identificação dos envolvidos reforça a necessidade de integração entre os estados. Um relatório completo deverá ser entregue às autoridades competentes em breve.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES