sexta-feira, março 27, 2026
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Copom avalia manutenção da Taxa Selic com quórum reduzido

Com a inflação em desaceleração, mas preços de serviços pressionando, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (28) para a primeira decisão de 2026. Analistas consultados pelo mercado aguardam manutenção da taxa Selic no patamar atual, apesar da queda recente do dólar.

A Selic está em 15% ao ano, nível mais alto desde julho de 2006, quando era de 15,25% ao ano. Entre setembro de 2024 e junho do ano passado houve sete aumentos consecutivos da taxa, que permanece inalterada nas últimas quatro reuniões do Copom.

O anúncio da decisão ocorrerá no início da noite desta quarta-feira. O Copom opera desfalcado: os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro e de Política Econômica expiraram no fim de 2025, e as indicações dos substitutos só devem ser enviadas pelo presidente da República quando o Congresso voltar em fevereiro.

Na ata do encontro de dezembro, o comitê deixou claro que a Selic ficará por um período prolongado em 15% para assegurar a convergência da inflação à meta, sem apontar quando poderão começar cortes.

O texto da ata também ressaltou elevada incerteza no cenário atual, o que demanda cautela. Internamente, itens como o preço de serviços seguem exercendo pressão sobre o índice de preços, apesar do arrefecimento da atividade econômica.

A pesquisa Focus, levantamento semanal com analistas, indica expectativa de manutenção da Selic em 15% até março. No entanto, a probabilidade de redução em janeiro aumentou nos últimos dias, acompanhando a queda do dólar para cerca de R$ 5,20.

No campo da inflação, o IPCA-15 — prévia do índice oficial — registrou 0,2% em outubro e acumula 4,5% em 12 meses, retornando ao teto do intervalo de tolerância da meta. O IPCA de novembro será divulgado nesta quarta-feira.

O boletim Focus também aponta revisão para a inflação de 2025, cuja projeção caiu para 4,4% ante 4,55% de quatro semanas antes. A meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, fixa alvo central de 3% com banda de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, isto é, intervalo entre 1,5% e 4,5%.

A taxa Selic é referência para os títulos públicos do Tesouro e para as demais taxas da economia. O Banco Central utiliza operações diárias de mercado aberto para manter a taxa próxima ao nível definido pelo Copom. A elevação da Selic tende a conter a demanda, encarecer o crédito e estimular a poupança, enquanto cortes costumam baratear o crédito e impulsionar consumo e produção.

O Copom realiza reuniões a cada 45 dias. No primeiro dia, são apresentadas análises técnicas sobre a economia doméstica e global e o comportamento dos mercados. No segundo dia, a diretoria do BC delibera sobre o nível da Selic.

Pelo regime de meta contínua, a verificação do cumprimento da meta é feita mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses, deslocando-se ao longo do tempo a cada mês. No fim de dezembro, o Banco Central manteve a projeção de que o IPCA fechará 2026 em 3,5%, estimativa que deverá ser atualizada no próximo Relatório de Política Monetária, previsto para o fim de março.

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