segunda-feira, março 30, 2026
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Consulta pública analisa a inclusão da vacina contra herpes zóster no SUS

O Ministério da Saúde iniciou uma consulta pública nesta quarta-feira (17) para avaliar a inclusão da vacina contra o herpes zóster no Programa Nacional de Imunização (PNI). A proposta foca em idosos com 80 anos ou mais e indivíduos imunocomprometidos a partir de 18 anos.

A Consulta Pública nº 78 estará aberta até 6 de outubro na plataforma Participa + Brasil. Até o momento, foram registradas 75 contribuições, e todos estão convidados a enviar suas opiniões e sugestões sobre o tema.

Os interessados em participar devem preencher um formulário eletrônico e podem enviar até dois arquivos com propostas ou documentos de apoio. É importante ressaltar que a submissão de informações pessoais ou dados de terceiros sem autorização não é permitida.

Uma comissão técnica ficará responsável por analisar as contribuições e decidir sobre a incorporação da vacina. Os relatórios que sustentam a recomendação preliminar da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que integra o Sistema Único de Saúde (SUS), estão disponíveis para consulta. A análise e decisões do grupo também podem ser acessadas no relatório do Ministério da Saúde.

No Brasil, o herpes-zóster, também conhecido como cobreiro, surge a partir da reativação do vírus da catapora (varicela-zóster) e atinge, principalmente, idosos e pessoas com imunidade comprometida. A doença provoca dor intensa, febre, erupções cutâneas, além de poder acarretar complicações sérias, como a neuralgia pós-herpética (NPH), que é uma dor crônica persistente.

De acordo com dados do SUS, entre 2008 e 2024, foram realizados mais de 85 mil atendimentos ambulatoriais e 30 mil internações relacionadas ao herpes-zóster. Entre 2007 e 2023, 1.567 mortes foram atribuídas à doença, com a maioria dos óbitos ocorrendo em pessoas com 50 anos ou mais.

O tratamento na rede pública envolve medicamentos voltados para o alívio dos sintomas, além de antivirais, como o aciclovir, em casos mais severos. Para a NPH, estão disponíveis medicamentos como amitriptilina, carbamazepina e lidocaína em gel.

A proposta de incorporar a vacina recombinante adjuvada ao SUS foi feita pelo Departamento do Programa Nacional de Imunizações e pelo Ministério da Saúde. A vacina, que contém uma proteína do vírus da varicela-zóster combinada a um adjuvante, é aplicada por via intramuscular em duas doses, com intervalo de dois meses entre elas.

A Conitec analisou a segurança e eficácia da vacina, que demonstrou eficácia superior a 80% na prevenção da doença e da NPH. Os efeitos adversos mais frequentes foram dor no local da aplicação, fadiga, dor muscular, cefaleia e febre, geralmente leves. Apesar de considerada segura, a alta estimativa de custo, de R$ 5,2 bilhões em cinco anos, representa um desafio. Para a Conitec, a conclusão é que a vacina não oferece benefícios suficientes para justificar o investimento no SUS.

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