Após mais de um ano das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, o estado ainda está em processo de recuperação das escolas e da Secretaria de Educação afetadas. De acordo com autoridades, oito instituições educacionais ainda não retornaram aos seus prédios originais.
A reconstrução vai além da simples restauração de edifícios; o foco é a implementação de um plano de contingência que prepare tanto a infraestrutura quanto a comunidade escolar para enfrentar tempestades e alagamentos, fenômenos naturais que têm se tornado mais frequentes na região devido às mudanças climáticas.
Um estudo realizado em parceria com o Banco Mundial identificou 730 escolas em risco de danos e apontou 87 delas como as mais vulneráveis. Essas escolas estão em fase de teste de um plano de contingência que visa garantir a continuidade do aprendizado mesmo em situações de crise.
Recentemente, a secretária estadual de Educação participou do II Fórum Internacional de Sustentabilidade e Educação, onde foram discutidas estratégias para a formação de sociedades mais justas e sustentáveis. A experiência do Rio Grande do Sul, que lidou com longos períodos sem aulas devido a desastres, evidenciou a importância de uma preparação integral da comunidade escolar.
Atualmente, foram elaborados planos de contingência em colaboração com consultorias nacionais e internacionais, fornecendo diretrizes claras sobre como agir antes, durante e após emergências. A adesão da comunidade é vista como fundamental para a efetividade dessas ações, pois cada escola deve adaptar seu plano de acordo com suas particularidades.
Um exemplo de iniciativa resiliente é a criação do Ginásio Resiliente, projetado para atividades esportivas e também como espaço emergencial. Esta estrutura robusta deve garantir a segurança e permitir que a escola funcione mesmo em situações de crise.
As inundações de 2024 impactaram duramente o estado, atingindo 478 das 497 cidades e afetando 2,4 milhões de pessoas, com uma tragédia que deixou 184 mortos e 25 desaparecidos.
A experiência gaúcha em enfrentar essas adversidades também foi compartilhada em Valência, na Espanha, onde um arquiteto envolvido na reconstrução de uma escola local destacou a importância de ouvir a comunidade escolar durante o processo.
O evento promovido pela Santillana e pela OEI culminou com a premiação do projeto vencedor do Prêmio Escolas Sustentáveis, que reconheceu propostas inovadoras de instituições de ensino no Brasil, México e Colômbia. O projeto premiado, da Institución Educativa Comercial de Envigado na Colômbia, foca na formação de uma gestão comunitária de projetos socioambientais.
Entre as iniciativas brasileiras, a Escola Estadual Brasil, em Limeira, foi finalista no Ensino Médio com um sistema de alerta precoce para desastres naturais, e a Creche Municipal Magdalena Arce Daou, em Manaus, destacou-se na Educação Infantil com um projeto que une arte e sustentabilidade.



