quinta-feira, março 26, 2026
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Comunidade quilombola reconhecida em Goiás pede retirada de fazendeiros

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) reconheceu, no último dia 19, que o território da comunidade quilombola Mesquita, em Cidade Ocidental (GO), tem extensão total de 4,1 mil hectares — cerca de 80% a mais do que a área atualmente reivindicada pela comunidade.

A comunidade, que completa 280 anos em 2026, é formada por aproximadamente 1,1 mil famílias — mais de duas mil pessoas. Com o novo reconhecimento, as famílias aguardam a fase de desintrusão de ocupantes irregulares, entre eles produtores de soja, presente na região.

O avanço deve permitir a retomada de áreas degradadas e interromper o desmatamento no Cerrado atribuído a grileiros. A expectativa é também restaurar o uso agrícola tradicional e garantir maior segurança territorial para os moradores, que vêm sofrendo perda de acesso a culturas e trilhas históricas.

A comunidade prepara a Festa do Marmelo, marcada para o próximo dia 11 de janeiro. O fruto é fonte de renda local e passou a ser símbolo da resistência contra as invasões.

Em nota, o Incra informou que o reconhecimento do território, ocupado desde o século 18, representa um passo importante para a reparação histórica de descendentes de pessoas escravizadas. O órgão registrou que as invasões prolongadas reduziram o acesso de quilombolas a áreas de plantio e moradia, além de interromper caminhos tradicionais.

O Incra também destacou que o ato administrativo busca assegurar o direito à terra ancestral e proteger as famílias da especulação imobiliária na região.

Pesquisa antropológica citada pelo órgão indica que os habitantes do Mesquita foram responsáveis pela construção de cantinas, hospedagens e refeitórios para migrantes que chegaram à então nascente capital federal, além de fornecer parte dos alimentos destinados aos canteiros de obra em um período de baixa produção local.

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