domingo, março 29, 2026
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Como ensinar crianças e adolescentes a respeitar os animais

A violência contra animais voltou ao debate público após o espancamento do cão comunitário Orelha por quatro adolescentes em Florianópolis (SC). As discussões têm girado em torno da punição dos responsáveis, da banalização desse tipo de agressão e de medidas de prevenção, ressocialização e educação.

A Agência Brasil consultou organizações não governamentais que atuam com animais abandonados ou vítimas de violência e a prefeitura de São Paulo para avaliar como o estímulo ao contato e ao cuidado com animais pode interromper ciclos de violência.

O instituto Ampara Animal, em atividade há 15 anos, lançará nos próximos dias a campanha “Quebre o Elo”, voltada a chamar atenção para a gravidade das agressões contra animais. A entidade aponta que atos de violência contra bichos podem ser reflexo de outras violências sofridas ou praticadas pelo agressor e funcionam como indicador do risco a outros grupos vulneráveis, como crianças, mulheres e idosos.

A Ampara defende a implementação de programas de educação focados em bem-estar animal desde a infância. A organização recomenda abordagens graduais que ensinem gentileza, respeito ao tempo e ao comportamento das diferentes espécies, preferencialmente por meio de experiências em ambientes naturais ou que reproduzam modos de vida mais próximos ao habitat dos animais. Segundo a entidade, essas práticas ajudam a desenvolver empatia e reduzir comportamentos agressivos.

Outra organização ouvida trabalha em abrigos no Distrito Federal e em Goiás, onde atende cerca de 400 animais. O grupo realiza iniciativas educativas em escolas e recebe famílias como voluntárias para promover o que chama de educação empática. As atividades são planejadas para não expor os animais a estresse, considerando que muitos já passaram por abandono ou violência.

Entre as estratégias adotadas estão eventos curtos e sistemáticos, como passeios dominicais, que habituam os animais à presença humana e facilitam a adoção. Feiras de adoção também contam com a participação de adolescentes em tarefas de manejo, higiene e hidratação, o que contribui para a noção de rotina e responsabilidade.

A prefeitura de São Paulo mantém abrigos públicos e um centro municipal de adoção com centenas de cães e gatos. O programa municipal tem foco na promoção da guarda responsável e em ações de educação ambiental. O espaço atende grupos escolares de até 30 crianças, com mediação do contato com os animais para criar consciência e formar multiplicadores nas famílias.

O projeto Superguardiões, iniciado em 2019, funciona por agendamento e recebeu mais de 1.900 visitantes em 2025. Há também o programa Leituras, voltado à alfabetização, no qual crianças leem para os animais do centro. Algumas escolas incorporaram a iniciativa ao processo de letramento, levando alunos a conhecer a trajetória dos animais e a produzir textos sobre eles.

A aproximação entre crianças e animais, com seleção prévia daqueles que não representam risco, contribui tanto para a socialização dos bichos quanto para a educação sobre práticas sustentáveis e responsáveis.

Orientações básicas para adoção recomendadas por ONGs e programas públicos:
– Garantir que todos os membros da família concordem e estejam conscientes das responsabilidades.
– Avaliar de forma realista se a família tem tempo, recursos e condições de adaptar a rotina ao cuidado do animal.
– Verificar se o planejamento de vida familiar é compatível com a decisão de adotar.
– Planejar para evitar abandono e assegurar cuidados contínuos.

Especialistas e organizações consultadas consideram que educação, contato supervisionado e iniciativas públicas articuladas são ferramentas essenciais para prevenir a violência contra animais e seus reflexos na sociedade.

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