segunda-feira, março 30, 2026
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Comissão analisará a proposta de incluir a PrEP injetável no SUS

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) está analisando a possibilidade de incluir a versão injetável da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) no SUS. Atualmente, a PrEP é disponibilizada em forma de comprimidos que devem ser tomados diariamente. Em contraste, a versão injetável é aplicada a cada dois meses.

A PrEP é reconhecida como uma estratégia eficaz para a prevenção da infecção pelo vírus HIV, especialmente destinada a grupos mais vulneráveis ao contágio. O parecer da Conitec representa uma etapa inicial para a inclusão de novas tecnologias no SUS, e a análise leva em conta critérios científicos e econômicos, além de consultas à população.

O pedido de avaliação da PrEP injetável foi submetido pela farmacêutica GSK, que produz o cabotegravir, a primeira opção injetável de longa duração aprovada no Brasil, com o respaldo da Sociedade Brasileira de Infectologia. O Ministério da Saúde está considerando os benefícios potenciais desse medicamento, fundamentado na pesquisa ImPrEP CAB, conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz.

Em um estudo com 1,4 mil participantes em seis cidades brasileiras, 83% optaram pelo cabotegravir em vez dos comprimidos, e 94% compareceram ao serviço de saúde para receber as injeções dentro do prazo, assegurando proteção ao longo do tratamento. Nenhum dos participantes que optaram pela injeção foi diagnosticado com HIV. Em contraste, usuários da PrEP oral estavam protegidos apenas 58% do tempo e um deles foi diagnosticado com a doença. Esses dados sugerem que a forma injetável pode proporcionar maior adesão e eficácia na proteção.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde conta com aproximadamente 119 mil usuários da PrEP. No entanto, os números de novas infecções por HIV aumentaram em 2023, com 46.495 casos registrados, cerca de dois mil a mais do que no ano anterior. A maior parte das novas infecções ocorreu em homens entre 20 e 29 anos. Apesar do aumento no número de casos, a mortalidade por AIDS apresentou uma redução de 32,9% entre 2013 e 2023, devido aos avanços no tratamento.

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