O fenômeno climático El Niño aumenta a probabilidade de incêndios florestais em Mato Grosso do Sul neste ano, especialmente no Pantanal, além de ameaçar áreas do Cerrado e da Mata Atlântica. A alteração no regime de chuvas, nas temperaturas e nos ventos eleva o risco de fogo na região.
No estado, o efeito do El Niño deve resultar em temperaturas mais altas — com previsão de calor durante o inverno de 2026 — e em irregularidade nas precipitações. Dados de monitoramento indicam que o quadro pode se agravar após um período de chuvas abaixo do esperado até janeiro, embora alguns municípios já tenham registrado chuva acima da média em fevereiro. O alerta, no entanto, permanece.
O levantamento considera 48 municípios e reúne informações da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Para o trimestre de fevereiro a abril, as condições estão de neutralidade, mas há indícios de retorno do El Niño no segundo semestre, o que pode contribuir para temperaturas acima da média e ondas de calor. Essas ocorrências tendem a coincidir com o período seco, quando a umidade relativa do ar cai, elevando a probabilidade de incêndios.
Historicamente, o El Niño tem sido associado ao aumento de eventos meteorológicos extremos e influenciou as temperaturas mais altas registradas entre 2023 e 2025. As previsões climatológicas apontam para o desenvolvimento do fenômeno entre o fim do outono e o início do inverno, e para um período seco com chuvas irregulares e abaixo da média histórica.
Capacidade de resposta
O governo estadual mantém um planejamento de prevenção e combate a incêndios em todos os biomas. As ações envolvem operações aéreas e terrestres do Corpo de Bombeiros, uso de aeronaves para acesso a áreas remotas e transporte de equipes, além de apoio tecnológico com drones e análises de georreferenciamento.
Na Operação Pantanal 2025 houve redução expressiva de focos e da área queimada: pouco mais de 202,6 mil hectares foram consumidos no estado, número bem inferior aos mais de 2,3 milhões de hectares queimados em 2024. A diminuição é atribuída a uma combinação de fatores, entre eles maior conscientização pública, atuação interinstitucional reforçada, respostas mais rápidas aos focos e qualificação das equipes, que formaram quase 1 mil brigadistas no ano anterior. Condições climáticas ligeiramente mais favoráveis também ajudaram, apesar do déficit hídrico persistente.
Medidas de preparação do Corpo de Bombeiros — como manejos preventivos do fogo, capacitação de militares e brigadistas e a instalação de bases avançadas no Pantanal desde 2024 — reduziram o tempo de resposta das equipes. Uma base avançada na região do Amolar é parte dessa estrutura.
Na fase operacional, os bombeiros monitoraram 924 eventos de fogo detectados por satélite e combateram diretamente 88 deles, totalizando 1.105 ações de combate. Foram mobilizados 1.298 militares e 60 viaturas para atendimento de 4.391 ocorrências, em sua maioria em áreas urbanas e periurbanas.
As autoridades mantêm vigilância e reforçam ações preventivas diante do risco de intensificação dos incêndios com a possível evolução do El Niño ao longo do ano.



