sábado, março 28, 2026
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CNI: acordo UE‑Mercosul dará ao Brasil acesso a 36% do comércio global

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou um levantamento apontando que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) elevará a fatia do acesso brasileiro ao mercado mundial de importações de bens de 8% para 36% quando entrar em vigor. A análise ressalta que a União Europeia representou 28% do comércio global em 2024.

O tratado foi assinado em 17 de junho, em Assunção (Paraguai), e ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais dos países do Mercosul. A vigência da parte comercial dependerá dessas aprovações e prevê implementação gradual ao longo dos próximos anos.

Impacto nas tarifas
Segundo a CNI, 54,3% dos produtos negociados — mais de 5 mil itens — terão as tarifas zeradas na União Europeia assim que o acordo entrar em vigor. Do lado do Mercosul, o Brasil terá prazos dilatados para reduzir tarifas em 44,1% dos produtos (4,4 mil itens), com janelas de transição de 10 a 15 anos.

Com base em dados de 2024, 82,7% das exportações brasileiras para a UE passarão a entrar no bloco sem tarifa desde o início da vigência. Em contraste, o Brasil assumiu compromisso de zerar imediatamente as tarifas de 15,1% das importações originárias da UE. A CNI também aponta que, em média, o país terá oito anos adicionais para se adaptar à redução tarifária em relação ao cronograma europeu, considerando o comércio bilateral definido no acordo.

Emprego e efeitos econômicos
A análise indica que, em 2024, cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a UE gerou 21,8 mil empregos, movimentou R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

Setor agroindustrial
O acordo prevê cotas que favorecem setores agroindustriais estratégicos. No caso da carne bovina, as cotas negociadas são superiores às concedidas pela UE a parceiros como Canadá e México. As cotas de arroz previstas também ultrapassam o volume atualmente exportado pelo Brasil para o bloco, ampliando o potencial de acesso ao mercado europeu.

Cooperação tecnológica e sustentabilidade
A CNI aponta que o tratado abre espaço para ampliar projetos de pesquisa e desenvolvimento nas áreas de sustentabilidade e inovação tecnológica. O documento considera oportunidades em tecnologias de descarbonização industrial, eletrificação com hidrogênio de baixa emissão, reciclagem de baterias e desenvolvimento de bioinsumos para a agricultura, entre outras frentes que podem acelerar a transição para uma economia de baixo carbono.

Dados de comércio e investimento
Em 2024, a UE recebeu US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total, permanecendo como o segundo maior mercado do país, atrás da China. No mesmo período, o bloco foi origem de US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, ou 17,9% do total.

Quase a totalidade (98,4%) das importações brasileiras provenientes da Europa foi composta por produtos da indústria de transformação. Do lado das exportações ao bloco, 46,3% corresponderam a bens industriais. Considerando insumos industriais, a participação foi de 56,6% nas importações vindas da UE e de 34,2% nas exportações brasileiras para o bloco em 2024.

Em termos de investimento, a UE foi o principal investidor no Brasil em 2023, respondendo por 31,6% do estoque de investimento produtivo estrangeiro no país, totalizando US$ 321,4 bilhões. O Brasil, por sua vez, foi o maior investidor da América Latina na União Europeia, destinando ao bloco 63,9% de seus investimentos no exterior.

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