sábado, março 28, 2026
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CNA pede maior mistura de biodiesel ao diesel para conter alta dos preços

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu ao governo federal que a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel passe de 15% para 17%. O ofício foi encaminhado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e assinado pelo presidente da entidade, João Martins da Silva.

Atualmente, o percentual mínimo definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) é de 15%, prática conhecida como B15. Com a mudança proposta, o combustível comercializado no país teria composição B17 (17% de biodiesel e 83% de diesel fóssil).

O CNPE tem reunião prevista para a próxima semana, quando a proposta poderá ser avaliada. Caso aprovada, a nova mistura valerá para todo o diesel comercializado no Brasil.

A CNA justifica o pedido com o aumento das pressões sobre os preços internacionais do petróleo provocado pela escalada do conflito no Oriente Médio. O barril do tipo Brent chegou a US$ 84, acumulando alta de cerca de 20% desde o fim de fevereiro.

O documento também cita o episódio anterior à invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, quando o petróleo subiu cerca de 40% no primeiro semestre, com reflexos de altas de aproximadamente 21% no preço do diesel nas distribuidoras e de 23% na revenda.

Segundo a entidade, ampliar a participação do biodiesel pode reduzir a dependência de petróleo importado e limitar pressões sobre os custos de transporte no país.

No agronegócio, o preço do diesel é apontado como a principal preocupação do setor, especialmente no período de colheita da primeira safra e de preparação do plantio da segunda. Produtores relataram elevação de até R$ 1 no preço do combustível nos postos. A CNA avalia que o aumento da mistura poderia ajudar postos e distribuidoras a evitar repasses maiores aos consumidores.

Sobre a oferta, a confederação afirma que o Brasil tem capacidade para ampliar rapidamente o uso de biodiesel. A safra de soja, principal insumo do biocombustível, está em andamento e deve ser recorde, com disponibilidade de matéria-prima e preços da soja abaixo dos patamares observados durante a pandemia de Covid-19, o que torna o produto competitivo.

A CNA também lembrou que a mistura de 16% (B16) estava prevista para entrar em vigor em 1º de março, conforme o cronograma da política de biocombustíveis, mas ainda não foi implementada.

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