sexta-feira, março 27, 2026
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Cid confirma que Bolsonaro teve acesso a plano golpista em reunião

O tenente-coronel Mauro Cid confirmou, nesta segunda-feira (14), que o ex-presidente Jair Bolsonaro teve acesso e leu um documento que propunha a realização de novas eleições e a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), no ano de 2022. Durante as investigações, este documento ficou conhecido como a minuta do golpe.

Cid prestou novo depoimento ao ministro Alexandre de Moraes, que é responsável pelas ações penais relacionadas aos núcleos 2, 3 e 4 da investigação. Ele foi convocado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para dar seus esclarecimentos.

O militar, que atuou como ajudante de ordens durante o governo Bolsonaro, revelou que Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais do ex-presidente e réu no processo, apresentou um jurista a Bolsonaro em duas ocasiões para discutir o documento golpista.

De acordo com Cid, durante essas reuniões, Bolsonaro leu o material e solicitou modificações. Inicialmente, o documento previa a prisão de vários ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, além do então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Contudo, a proposta foi alterada para incluir apenas a prisão de Moraes.

O conteúdo do documento era dividido em duas partes: a primeira abordava as supostas interferências do STF e do TSE no processo eleitoral, enquanto a segunda tratava da prisão de autoridades e da convocação de novas eleições.

O depoimento de Mauro Cid ocorreu por videoconferência, sob a condição de que não fossem feitas fotos ou gravações, e a transmissão ao vivo não foi permitida. No entanto, advogados dos réus e membros da imprensa puderam acompanhar a sessão.

O processo relacionado à trama golpista entra em uma nova fase nesta semana. A partir de amanhã (15), serão ouvidas as testemunhas indicadas pelos réus dos três núcleos envolvidos, com os depoimentos programados até o dia 23 de julho. No mês anterior, o STF já havia coletado os testemunhos do Núcleo 1, que conta com Jair Bolsonaro e mais sete aliados.

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