domingo, abril 5, 2026
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Chikungunya em Mato Grosso do Sul: entenda a preocupação

O governo federal declarou situação de emergência em saúde pública no município de Dourados (MS) devido a surtos de doenças infecciosas virais, entre elas vários casos de chikungunya. A prefeitura de Dourados já havia decretado estado de emergência em áreas afetadas na sexta-feira (27).

O boletim epidemiológico mais recente aponta, na zona urbana, 1.455 casos prováveis, 785 confirmados, 900 em investigação e 39 internações. Na Reserva Indígena de Dourados foram registrados 1.168 casos prováveis, 629 confirmados, 539 em investigação, além de sete internações, 428 atendimentos hospitalares e cinco óbitos confirmados.

A Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul informou que o estado será incluído em estratégia piloto do Ministério da Saúde para envio de doses da vacina contra a chikungunya. A participação do estado decorre de solicitação formal ao governo federal em razão do cenário epidemiológico registrado em Dourados, com ênfase nas áreas indígenas.

Sobre a chikungunya

A chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas do mosquito do gênero Aedes. No Brasil, o principal vetor é o Aedes aegypti. O vírus chegou ao continente americano em 2013 e provocou epidemias na América Central e no Caribe.

O primeiro registro laboratorial no Brasil ocorreu no segundo semestre de 2014, nos estados do Amapá e da Bahia. Atualmente, a transmissão do arbovírus já foi registrada em todos os estados. Em 2023 observou‑se ampla dispersão territorial, especialmente na Região Sudeste, enquanto anteriormente as maiores incidências concentravam‑se no Nordeste.

Quadro clínico

As manifestações mais comuns incluem edema e dor articular intensa e incapacitante. Também são descritas manifestações extra‑articulares. Casos graves podem exigir internação e evoluir para óbito. O vírus pode provocar doença neuroinvasiva, com complicações como encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain‑Barré, síndromes cerebelares, paresias, paralisias e neuropatias.

Sintomas mais frequentes:
– febre;
– dores musculares;
– dor de cabeça;
– dores intensas nas articulações;
– manchas vermelhas na pele;
– dor retroocular;
– dor nas costas;
– conjuntivite não purulenta;
– náuseas e vômitos;
– edema nas articulações;
– prurido (coceira), generalizado ou nas palmas das mãos e plantas dos pés;
– diarreia e/ou dor abdominal (mais comuns em crianças);
– dor de garganta;
– calafrios.

Evolução da doença

A infecção pode ser dividida em três fases:
– fase aguda ou febril: de cinco a 14 dias;
– pós‑aguda: de 15 a 90 dias;
– crônica: sintomas persistentes por mais de 90 dias.

Em mais de 50% dos casos, a artralgia pode tornar‑se crônica e perdurar por anos. Manifestações sistêmicas podem afetar o sistema nervoso, cardiovascular, renal e a pele.

Diagnóstico e notificação

O diagnóstico combina avaliação clínica e exames laboratoriais e deve ser realizado por médico. Testes sorológicos e moleculares, assim como exames de acompanhamento, estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em suspeita de chikungunya, a notificação deve ser registrada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Online) em até sete dias. Em caso de óbito, a notificação precisa ser encaminhada ao Ministério da Saúde em até 24 horas.

Considera‑se caso suspeito quem apresentar febre de início súbito acompanhada de artralgia ou artrite intensa, sem outra explicação, e que resida ou tenha visitado áreas com transmissão até duas semanas antes do início dos sintomas, ou que possua vínculo epidemiológico com caso confirmado.

Tratamento

Não existe tratamento antiviral específico para a chikungunya. O manejo é sintomático, com analgesia e suporte clínico.

As recomendações incluem hidratação oral e escolha de medicamentos conforme avaliação clínica, utilizando escalas de dor apropriadas para idade e fase da doença. Em casos de comprometimento musculoesquelético importante, a fisioterapia pode ser indicada.

Pacientes com suspeita de infecção devem procurar atendimento médico para diagnóstico e orientação. A automedicação não é recomendada, pois pode mascarar sintomas, dificultar o diagnóstico e agravar o quadro.

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