segunda-feira, março 30, 2026
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Cerrado em Perigo: A Importância da Fronteira Hídrica do Brasil

**Balsas: Desmatamento e Crise Hídrica no Sul do Maranhão**

Localizada no sul do Maranhão, a cidade de Balsas, com mais de 100 mil habitantes e o terceiro maior PIB do estado, se destaca negativamente como um dos principais focos de desmatamento no Cerrado. Nos últimos dois anos, Balsas foi o segundo município que mais desmatou em todo o Brasil, conforme o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil de 2024, elaborado pelo MapBiomas.

Simultaneamente, a cidade abriga as nascentes da Bacia do Rio Parnaíba, a segunda mais significativa do Nordeste. Nos últimos 25 anos, Balsas passou por transformações estruturais e se tornou um centro importante para a expansão agropecuária, o que, segundo diversos estudos, está associado ao aumento do desmatamento e a problemas na gestão dos recursos hídricos.

A situação de emergência hídrica é visível na região do Vão do Uruçu, onde estão localizadas cerca de 50 nascentes do Rio Balsas. Em um percurso de 300 km por Balsas, foi possível observar a seca alarmante de várias dessas nascentes, refletindo a preocupação das comunidades locais com a disponibilidade de água. Dados do Serviço Geológico Brasileiro indicam uma queda contínua nas vazões de rios da área desde a década de 1970. Um estudo realizado pelo Ambiental Media revelou que a Bacia do Parnaíba perdeu 24% da sua vazão média ao longo de 40 anos.

Recentemente, o governo federal anunciou um investimento de R$ 995 milhões para a revitalização do Rio Parnaíba por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), sinalizando uma tentativa de mitigar os danos ambientais na região.

A secretária de Meio Ambiente de Balsas, Maria Regina Polo, reconhece que a região enfrenta um problema hídrico. Ela observa que a maior parte do desmatamento ocorre de forma legal, permitindo a remoção de até 80% da vegetação nativa em propriedades privadas. Segundo ela, a economia da cidade é predominantemente agrícola e a busca é por práticas mais sustentáveis.

Por outro lado, a visão de especialistas sobre a situação é alarmante, ressaltando uma crise hídrica silenciosa resultante da expansão das atividades agropecuárias. O governo do Maranhão defende que o desafio é conciliar o crescimento econômico com a preservação ambiental e afirmou que o desmatamento, embora significativo, não é o único fator que contribui para a crise hídrica, citando também as mudanças climáticas como um agravante.

Os dados revelam que o Maranhão se tornou o estado com o maior índice de desmatamento no Brasil, desafiando a região a encontrar soluções viáveis que garantam tanto a sustentabilidade dos recursos hídricos quanto o desenvolvimento econômico.

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