sexta-feira, março 27, 2026
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Casos de câncer de pele aumentam de 4 mil para mais de 72 mil em 10 anos

Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) indicam um salto nos diagnósticos de câncer de pele no Brasil, de 4.237 casos em 2014 para 72.728 em 2024. A entidade aponta padrão regional, com concentrações mais altas nas regiões Sul e Sudeste.

A projeção nacional para 2024 foi de 34,27 casos por 100 mil habitantes, abaixo do pico de 36,28 registrado em 2023. Entre os estados, Espírito Santo (139,37) e Santa Catarina (95,65) lideraram o ranking em 2024. Rondônia (85,11) destacou-se como ponto fora do eixo Sul-Sudeste. Ceará apresentou taxa de 68,64 naquele ano.

A SBD atribui os índices a fatores como maior exposição solar, predominância de população de pele clara e envelhecimento demográfico. Nas regiões Norte e Nordeste as taxas seguem mais baixas, embora estados como Rondônia e Ceará tenham mostrado aumento em 2024. A entidade também aponta que elevações em unidades com histórica baixa notificação, como Roraima, Acre e Amapá, podem refletir avanço na vigilância epidemiológica, ainda que a subnotificação persista em áreas rurais e de difícil acesso.

Aumento de notificações a partir de 2018

O crescimento mais expressivo nos registros ocorreu a partir de 2018, quando passou a ser exigido o preenchimento do Cartão Nacional de Saúde e da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) nos pedidos laboratoriais para biópsias. Esse ajuste nas rotinas de notificação contribuiu para a ampliação dos registros.

Desigualdade de acesso ao diagnóstico

Segundo a SBD, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam 2,6 vezes mais dificuldade para agendar consulta com dermatologista em comparação aos usuários da saúde suplementar. A entidade defende que ampliar o diagnóstico precoce depende de maior oferta de consultas na rede pública, já que a detecção em estágios iniciais aumenta as chances de cura e reduz a necessidade de tratamentos mais complexos.

Consultas dermatológicas

No SUS, o volume de consultas dermatológicas caiu de 4,04 milhões para 2,36 milhões em 2020, durante a pandemia, e recuperou-se gradualmente até atingir 3,97 milhões em 2024, número próximo ao de 2019. Na saúde suplementar, as consultas se mantiveram duas a três vezes acima do SUS, com mais de 10 milhões em 2019 e em 2024.

Entre 2019 e 2024, a SBD registra variação de consultas com especialistas por mil beneficiários de 37,96 (2020) a 51,01 (2019). Esses dados confirmam maior disponibilidade de dermatologistas no setor privado, onde o acesso foi de duas a quase cinco vezes superior. Em 2020 a diferença chegou a 3,4 vezes; em 2024 permaneceu em 2,6 vezes. A entidade ressalta que, embora nem todas as consultas tenham foco no rastreamento do câncer de pele, o maior volume de atendimentos amplia a chance de identificar lesões suspeitas precocemente. O exame clínico visual é apontado como a principal porta de entrada para o diagnóstico, e a desigualdade no acesso pode influenciar a progressão da doença, sobretudo em casos de melanoma.

Alta complexidade e concentração de serviços

A SBD alerta que a desigualdade de acesso repercute na complexidade dos tratamentos: diagnósticos tardios costumam demandar procedimentos mais invasivos e prolongados. Municípios do interior enfrentam vazios assistenciais e longos deslocamentos para chegar a centros de alta complexidade.

A concentração de unidades habilitadas em oncologia está nos estados do Sudeste e Sul. São Paulo soma 57 unidades (15 Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia — Cacon — e 42 Unacons), Minas Gerais tem 31 (3 Cacons e 28 Unacons) e Rio Grande do Sul conta com 28 (9 Cacons e 19 Unacons). Por outro lado, Acre, Amazonas e Amapá dispõem de apenas um Unacon cada e não possuem Cacons, o que contribui para diagnósticos em estágios mais avançados nessas regiões.

Tempo entre diagnóstico e início do tratamento

O levantamento aponta crescimento no total de casos de câncer de pele tratados entre 2014 e 2025. Nas regiões Sul e Sudeste, a maioria dos pacientes inicia o tratamento em até 30 dias. No Norte e no Nordeste, as esperas frequentemente ultrapassam 60 dias, elevando o risco de agravamento do quadro.

Medidas propostas pela SBD

Diante dos dados, a SBD defende medidas urgentes, como garantir acesso ao protetor solar, ampliar ações de prevenção e melhorar a detecção precoce. A entidade pretende sensibilizar parlamentares para incluir o filtro solar na lista de itens essenciais na Reforma Tributária, com a expectativa de reduzir custos e ampliar o acesso da população.

Os dados sobre o panorama do câncer de pele foram encaminhados a deputados e senadores para subsidiar a regulamentação da Lei nº 14.758/2023, que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS, e o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer.

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