sexta-feira, março 27, 2026
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Capes: 96 brasileiros abandonam doutorado sanduíche nos EUA

Um total de 96 pesquisadores brasileiros decidiu deixar de lado seus programas de doutorado nos Estados Unidos, conforme informações divulgadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Esses acadêmicos tinham a oportunidade de receber bolsas para doutorado sanduíche, mas optaram por mudar de destino ou atrasar suas pesquisas.

A presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, apresentou essa informação em uma entrevista, mencionando que o clima de insegurança na academia e nos projetos de pesquisa nos EUA, agravado pelo governo de Donald Trump, pode ter influenciado essas desistências. A presidente ressaltou que muitos dos pesquisadores já haviam tomado essa decisão antes mesmo de solicitar o visto americano.

Denise comentou que, dentro do programa de doutorado sanduíche, a Capes concede bolsas para instituições brasileiras, que, em conjunto com os pesquisadores, definem os países de destino. O período de agosto e setembro é crucial, pois é quando os pagamentos para as viagens são realizados, permitindo que os alunos desenvolvam suas pesquisas no exterior.

A situação em 2025 poderá ser ainda mais complicada, pois, segundo a presidente, não há restrições oficiais para os estudantes brasileiros, mas a oferta de bolsas para os EUA caiu consideravelmente. Em 2022, foram oferecidas 880 bolsas, enquanto este ano o objetivo era de 1.200, mas apenas 350 estão programadas.

Denise aconselhou os interessados a considerarem alternativas, enfatizando o impacto negativo que o fechamento científico dos EUA pode ter sobre a ciência brasileira. Ela reforçou que a Capes está aberta a ajudar os pesquisadores a escolher novos destinos para que não haja prejuízo em seus projetos.

Historicamente, os países mais populares entre os pesquisadores brasileiros incluem França, Estados Unidos, Portugal e Espanha. Enquanto isso, parcerias com nações do Brics ainda são pouco exploradas, com apenas 49 bolsas concedidas para a China e 84 para a África do Sul nos últimos dez anos.

No contexto estadual, Márcio de Araújo Pereira, presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), observou que, até o momento, não há dados concretos sobre o impacto desse cenário na concessão de bolsas ou na mobilidade dos pesquisadores. Ele destacou o interesse crescente de universidades de outros países em firmar parcerias com o Brasil.

Reforçando a necessidade de diversificação, o presidente da Confap garantiu que não há intenção de rompimento com os EUA, sublinhando a importância das colaborações científicas para o avanço tecnológico.

Apesar das dificuldades, a presença de brasileiros em universidades dos Estados Unidos continua sendo considerada crucial. Nathalia Bustamante, da Fundação Lemann, enfatizou que a diversidade de estudantes e pesquisadores contribue significativamente para a produção de conhecimento e o desenvolvimento do Brasil.

A Fundação Lemann já concedeu 840 bolsas a estudantes brasileiros, sendo 760 destinadas apenas aos Estados Unidos. A fundação se compromete a acompanhar a situação e manter o suporte aos pesquisadores que buscam oportunidades no exterior.

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