Pacientes com câncer e representantes da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) realizaram uma manifestação nesta quarta-feira (9), em frente ao Ministério da Saúde, em Brasília. O ato teve como objetivo reivindicar o acesso a tratamentos para câncer de mama em estágio avançado e metastático, que já foram aprovados, mas ainda não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
A mobilização faz parte da campanha “PCDT Rosa: quantos passos faltam?”, que busca chamar a atenção para a demora na disponibilização de medicamentos que constam no Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do câncer de mama, publicado em dezembro de 2024. Este protocolo visa padronizar e regulamentar as linhas de cuidado para a doença.
De acordo com a Femama, embora o PCDT tenha sido aprovado, muitas mulheres em tratamento oncológico na rede pública não têm acesso aos novos medicamentos, o que impacta negativamente na qualidade de vida e na taxa de sobrevida dessas pacientes.
Além disso, dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam para um cenário preocupante, com cerca de 74 mil novos casos de câncer de mama esperados anualmente no Brasil. A Femama destaca que aproximadamente 75% da população depende exclusivamente do SUS.
A Federação também afirma que, desde a incorporação de novos tratamentos em 2021 e 2022, como inibidores de ciclina e trastuzumabe entansina, houveram mais de 8,9 milhões de “passos” na luta pelo acesso a esses medicamentos. Contudo, a efetiva disponibilização ainda não foi realizada, gerando frustração entre os pacientes.
O caso de Cintia Cerqueira, uma paciente de 49 anos diagnosticada com câncer de mama em 2018, ilustra a situação de muitos. Após ter a doença se espalhado para os ossos e o cérebro, Cintia enfrentou três cirurgias e precisou recorrer à Justiça para obter acesso ao tratamento adequado, enfrentando uma longa espera.
Segundo Cintia, a luta por um tratamento eficaz é diária, com o objetivo de garantir aos pacientes de câncer metastático os mesmos direitos que os que têm canceres em estágio inicial. A esperança é que a mobilização ajude a acelerar a liberação dos medicamentos necessários para melhorar a qualidade de vida dessas mulheres.



