segunda-feira, março 30, 2026
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Câncer colorretal: Diagnóstico frequente em estágios avançados

Lançado no dia 27 de outubro, em comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Câncer, o estudo “Câncer colorretal no Brasil – O desafio invisível do diagnóstico”, elaborado pela Fundação do Câncer, apresenta dados preocupantes sobre a detecção da doença no país. Entre 2013 e 2022, dos 177 mil casos registrados em hospitais públicos e privados, mais de 60% foram identificados em estágios avançados.

Esses achados ressaltam que a progressão da doença e a dificuldade no diagnóstico reduzem significativamente as chances de cura. Uma análise revela que, em todo o país, cerca de 50% dos pacientes são diagnosticados com câncer colorretal no estágio metastático, enquanto 25% chegam ao estágio 3, totalizando mais de 70% em estágio avançado.

A importância do diagnóstico precoce é enfatizada no estudo, que sugere que pacientes com sintomas, mesmo que leves, devem procurar atendimento médico urgente. Exames preventivos também são destacados como cruciais na detecção precoce do câncer.

Atualmente, a pesquisa de sangue oculto nas fezes é o primeiro exame recomendado para a detecção precoce do câncer colorretal, especialmente para pessoas a partir dos 50 anos. Contudo, a faixa etária média de diagnóstico está entre 50 e 60 anos, o que levanta preocupações sobre a eficácia dessa abordagem. O estudo propõe que a faixa para testes de rastreamento seja reduzida, sugerindo que inícios aos 40 ou 45 anos poderiam facilitar a identificação precoce de lesões.

Além disso, o relatório destaca a importância de hábitos saudáveis na prevenção primária do câncer, como o controle do peso, a prática de atividades físicas e a redução do consumo de álcool e tabaco. A correlação entre obesidade e a incidência de câncer colorretal é evidente, com regiões com maior taxa de obesidade apresentando maiores índices da doença.

Dos dados analisados, a incidência de câncer de cólon e reto foi mais prevalente entre a população branca (34,6%), seguida por negros (30,9%). As regiões Sudeste e Sul concentram a maior parte dos casos e a infraestrutura hospitalar para diagnóstico e tratamento.

O estudo também aponta que, em vista do envelhecimento da população, a previsão é de que o número de casos aumente em 21% até 2040, atingindo aproximadamente 71 mil novos diagnósticos e cerca de 40 mil mortes anuais. A falta de uma estratégia consolidada para prevenção e diagnóstico é uma preocupação destacada pelos especialistas.

Além disso, a Fundação do Câncer sugere que o Ministério da Saúde implante um sistema de rastreamento similar ao adotado em países como Inglaterra, onde os pacientes recebem kits para coleta de amostras de fezes em casa.

A incidência de câncer colorretal em algumas capitais brasileiras, como Florianópolis e Porto Alegre, correlaciona-se com os altos índices de tabagismo e obesidade. O estudo conclui que a região Sudeste concentra quase metade dos casos, apontando para a necessidade de ações de rastreamento que incluam faixas etárias mais jovens.

Em relação ao nível educacional, 47,7% dos pacientes têm apenas o ensino fundamental, enquanto a cirurgia continua sendo a principal modalidade de tratamento. A relevância de promover políticas públicas voltadas para a saúde e a prevenção do câncer colorretal fica evidente diante dos dados apresentados.

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