quinta-feira, março 26, 2026
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Butantan inicia preparação para testes de vacina contra gripe aviária em humanos

O Instituto Butantan, ligado à Secretaria de Saúde de São Paulo, anunciou o início dos testes em humanos da primeira vacina nacional contra a gripe aviária do tipo H5N8. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou os ensaios clínicos na terça-feira (1º), e a instituição aguarda agora a aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

A vacina, denominada influenza monovalente A (H5N8), será testada em duas doses com um intervalo de 21 dias, inicialmente em adultos de 18 a 59 anos. Após essa fase, os testes serão estendidos a indivíduos com mais de 60 anos.

Os estudos pré-clínicos realizados em camundongos e coelhos apresentaram resultados satisfatórios em termos de segurança e imunogenicidade. O Butantan planeja recrutar 700 voluntários para as fases 1 e 2 do estudo, que ocorrerá em cinco centros de pesquisa em Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo. A expectativa é que o acompanhamento dos participantes seja concluído em 2026, a fim de gerar dados abrangentes para o pedido de registro à Anvisa.

Desde 1996, alguns vírus aviários, como o H5, demonstraram a capacidade de se transmitir ocasionalmente para humanos. Esse aspecto tem gerado preocupação entre especialistas devido ao potencial de evolução dos vírus, que poderiam causar epidemias.

A diretora médica do Instituto, por sua vez, alertou sobre os riscos associados à possível transmissão inter-humana da gripe aviária. Embora até o momento essa adaptação não tenha ocorrido, existe a possibilidade de que as mutações do vírus possam permitir essa transmissão, aumentando o risco de epidemias.

A vacina em desenvolvimento é de vírus inativado, o que significa que não pode causar infecções. Com a aprovação ética, o Butantan irá abrir os centros de pesquisa para iniciar os testes em humanos, avaliando a segurança e a eficácia da vacina em criar imunidade.

De acordo com a Anvisa, o alerta global sobre a disseminação de variantes perigosas da gripe aviária, como H5N1 e H7N9, permanece forte. Desde 2021, cerca de 300 milhões de aves foram afetadas por esses vírus em 79 países, e, embora casos humanos ainda sejam raros, a taxa de letalidade tem chamado a atenção.

O Ministério da Saúde informou que, até o momento, não foram registrados casos humanos de influenza aviária no Brasil, ressaltando que o risco de infecção é baixo, especialmente em relação ao consumo de carne e ovos bem cozidos. A infecção ocorre principalmente pelo contato direto com aves doentes.

No Rio Grande do Sul, um foco de gripe aviária foi notificado em 2023, mas o Brasil foi declarado livre do vírus em 18 de junho, após cumprir os protocolos internacionais.

Para garantir uma resposta rápida a surtos, o Ministério da Saúde lançou o Plano de Contingência Nacional para Influenza Aviária em dezembro de 2024, com orientações sobre vigilância, diagnóstico e assistência em saúde. O ministério também mantém estoque de antivirais e capacidade para produção de vacinas, visando se preparar para um eventual aumento de casos em humanos.

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