Os integrantes do Brics reforçaram a necessidade de renegociação das dívidas de nações com economias de baixa e média renda por meio de um mecanismo proposto pelo G20. Essa recomendação foi incluída na Declaração de Líderes do grupo, divulgada neste domingo (6).
O documento enfatiza a importância de uma abordagem abrangente para lidar com o endividamento internacional, principalmente no que diz respeito aos países mais vulneráveis, que têm enfrentado desafios econômicos nos últimos anos. A declaração cita que as altas taxas de juros e as condições de crédito mais rígidas acentuam as fragilidades enfrentadas por essas nações.
O Brics destacou a necessidade de implementar o Marco Comum do G20 para Tratamento da Dívida, estabelecido na última reunião do grupo. Esse mecanismo promove diálogos entre governos, credores privados e instituições financeiras multilaterais, como o Banco Mundial e o Novo Banco de Desenvolvimento.
Outro aspecto abordado na declaração final é a proposta de uma iniciativa de Garantias Multilaterais (GMB), que visa criar um sistema de garantias entre os países membros do Brics. A ideia é agrupar ativos para cobrir possíveis inadimplências, resultando em juros mais baixos para empréstimos e financiamentos externos.
A GMB pretende oferecer instrumentos de garantia adaptados que diminuam os riscos dos investimentos e aumentem a credibilidade dentro do Brics e no Sul Global. O projeto será incubado no Novo Banco de Desenvolvimento como uma experiência inicial, voltada para os países membros, sem necessidade de novos aportes de capital.
Além disso, a declaração conjunta dos ministros de Finanças e presidentes dos Bancos Centrais do Brics, divulgada na noite de sábado (5), sugeriu a criação de um mecanismo similar para financiamento climático e investimentos em infraestrutura. O documento também menciona a revisão do Acordo de Reservas Contingentes (ARC), que foi estabelecido em 2014 para oferecer assistência financeira em casos de dificuldades no balanço de pagamentos.
O Brics é composto por 11 países membros permanentes: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, além de países parceiros como Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Tailândia, Cuba, Uganda, Malásia, Nigéria, Vietnã e Uzbequistão. A 17ª Reunião de Cúpula do Brics, presidida pelo Brasil, ocorre no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de julho.
Esse bloco representa 39% da economia global, 48,5% da população mundial e 23% do comércio internacional. Em 2024, os países do Brics devem responder por 36% das exportações brasileiras e por 34% das importações.



