quarta-feira, março 25, 2026
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Brics apoia a criação de dois Estados e a manutenção das fronteiras de 1967 para a Palestina.

Na conclusão da 17ª Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro, o grupo reafirmou seu apoio à solução de dois Estados para o conflito no Oriente Médio, que envolve a criação de um Estado palestino ao lado de Israel. O documento menciona o compromisso com a adesão da Palestina às Nações Unidas, propondo um Estado soberano e viável dentro das fronteiras reconhecidas de 1967, ano em que Israel passou a controlar a Faixa de Gaza e a Cisjordânia.

O Irã, embora parte do Brics, expressou uma posição divergente. Por meio de nota, o chanceler iraniano criticou a proposta de dois Estados, considerando-a “irreal”. Ele sugeriu um referendo que incluísse todos os habitantes da Palestina, independentemente de religião, como solução viável para o conflito.

Em relação aos territórios ocupados, a declaração final do Brics solicitou a retirada total das forças israelenses da Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, além da libertação dos reféns detidos, em desacordo com o direito internacional. O grupo expressou preocupação com os ataques israelenses em Gaza e as dificuldades na entrega de ajuda humanitária, condenando a utilização da fome como uma tática de guerra.

No mesmo dia, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, chegou aos Estados Unidos para se reunir com o presidente Donald Trump e discutir a situação em Gaza. Ambas as lideranças têm defendido a emigração de palestinos, proposta que foi rejeitada pelos membros do Brics.

A declaração do grupo também se opôs ao deslocamento forçado da população palestina e a qualquer alteração geográfica da Faixa de Gaza. Enquanto a guerra persiste, a população palestina na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental enfrenta um aumento no deslocamento forçado, com estimativas apontando que cerca de 40 mil palestinos foram expulsos de suas casas nos últimos meses.

A cúpula reafirmou a Faixa de Gaza como parte inseparável do território palestino e destacou a importância da unificação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza sob a Autoridade Palestina.

Historicamente, em 1947, as Nações Unidas haviam sugerido a divisão da Palestina em dois Estados, proposta que foi rejeitada pelos países árabes. A independência de Israel em 1948 gerou a primeira guerra do conflito, resultando em grandes deslocamentos forçados de palestinos. Desde então, o controle pelos israelenses se estendeu a territórios palestinos após a Guerra de 1967.

Em 2005, Israel se retirou de Gaza, mas manteve um cerco rigoroso ao território, limitando a movimentação de pessoas e suprimentos. Nos últimos anos, Israel tem buscado normalizar relações com países da região, especialmente através dos Acordos de Abraão. Em 2023, um ataque do Hamas resultou em um número elevado de vítimas e reféns, desencadeando uma nova fase de conflito, cuja resposta israelense tem sido criticada internacionalmente por sua escala e impacto humanitário.

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