segunda-feira, março 30, 2026
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Brasil registra um caso de envenenamento a cada duas horas, alerta especialistas

Nos últimos dez anos, o Brasil registrou 45.511 atendimentos emergenciais relacionados a envenenamentos que resultaram em internações na rede pública. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede) nesta segunda-feira (8).

O levantamento revela que, além dos envenenamentos acidentais e indeterminados, 3.461 internações no Sistema Único de Saúde (SUS) foram provocadas por intoxicação intencional. A média anual é de 4.551 casos, o que equivale a cerca de 379 registros mensais e 12,6 diários, indicando que a cada duas horas, uma pessoa é admitida em emergência devido à ingestão de substâncias tóxicas.

A Abramede destaca o papel crucial dos médicos emergencistas em situações críticas, além de enfatizar a fácil acessibilidade a venenos, bem como a falta de fiscalização e regulamentação. A impunidade e o uso de venenos em contextos íntimos, frequentemente com motivações emocionais, são também questões alarmantes.

Os dados apontam que envenenamentos relacionados a drogas, medicamentos e substâncias biológicas somaram 6.407 casos, enquanto produtos químicos não especificados apresentaram 6.556 casos e substâncias químicas nocivas, 5.104 casos. Nos envenenamentos acidentais, analgésicos e medicamentos para dor, febre e inflamação foram os mais frequentemente reportados, totalizando 2.225 casos, seguidos por pesticidas (1.830), álcool em causas não determinadas (1.954) e anticonvulsivantes, sedativos e hipnóticos (1.941).

Geograficamente, quase 50% dos casos registrados ocorreram na Região Sudeste, totalizando mais de 19 mil ocorrências. São Paulo lidera com 10.161 registros, seguida por Minas Gerais com 6.154. O Sul do país registrou 9.630 atendimentos, com destaque para o Paraná (3.764) e o Rio Grande do Sul (3.278). O Nordeste contabilizou 7.080 casos, principalmente na Bahia (2.274) e Pernambuco (949). No Centro-Oeste, foram 5.161 internações, lideradas pelo Distrito Federal (2.206) e Goiás (1.876). A Região Norte totalizou 3.980 casos, com o Pará (2.047) e Rondônia (936) no topo da lista.

Analisando as internações por intoxicação intencional, a Região Sudeste foi a mais afetada, com 1.513 casos. Outras regiões apresentaram números próximos: Sul (551), Nordeste (492), Centro-Oeste (470) e Norte (435). Em relação aos estados, São Paulo registrou 754 casos, seguido por Minas Gerais (500), Pará (295), Paraná (289), Goiás (248) e Bahia (199). Por outro lado, os menores registros foram em Amapá (16), Sergipe (8), Alagoas (4), Acre (3) e Roraima (1).

O perfil das vítimas indica que a maioria dos casos envolve homens, totalizando 23.796 registros. Adultos jovens, de 20 a 29 anos, somam 7.313 casos, enquanto crianças de 1 a 4 anos totalizam 7.204. As faixas etárias com menos registros são de bebês com menos de 1 ano e idosos de 70 a 79 anos (1.612), e acima de 80 anos (968).

Casos recentes de envenenamento incluem incidentes trágicos, como a morte de três membros de uma família em Torres (RS) em dezembro de 2024, após consumirem um bolo contaminado com arsênio. Em janeiro de 2025, uma refeição envenenada durante a ceia de Ano Novo em Parnaíba (PI) levou ao envenenamento de nove pessoas, com cinco mortes, incluindo a de um bebê.

Outro evento em abril resultou na morte de duas crianças em Imperatriz (MA) após comerem um ovo de Páscoa envenenado. Em Natal (RN), a entrega de um açaí causou a morte de uma bebê de 8 meses e deixou uma mulher em estado grave, mostrando a gravidade desses acontecimentos.

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