segunda-feira, março 30, 2026
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Brasil confirma 34 casos de sarampo e Ministério da Saúde faz alerta geral

O Ministério da Saúde emitiu um alerta nesta segunda-feira (13) solicitando que estados e municípios intensifiquem a vigilância e as ações relacionadas ao sarampo. Até a Semana Epidemiológica 38, que transcorreu entre os dias 29 de setembro e 5 de outubro, foram registrados 34 casos da doença em 2023. A instituição manifesta preocupação em prevenir a reintrodução do vírus no Brasil.

Dos casos confirmados, nove foram identificados em pessoas que retornaram do exterior, 22 estavam em contato próximo com indivíduos infectados fora do país, e três estão geneticamente relacionados a vírus circulantes em outras nações. Atualmente, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso são considerados em surto da doença.

No Tocantins, o surto teve início em julho, no município de Campos Lindos, vinculado ao retorno de quatro brasileiros provenientes da Bolívia. Esta comunidade apresenta baixa adesão à vacinação, o que favoreceu a rápida propagação do vírus. No Maranhão, foi confirmado um caso de uma mulher de 46 anos, não vacinada, que teve contato com pessoas de Campos Lindos. Os dois municípios estão localizados na divisa entre Tocantins e Maranhão.

Em Mato Grosso, os casos também estão relacionados a brasileiros que voltaram da Bolívia. O surto começou em Primavera do Leste e afetou três membros de uma mesma família, todos não vacinados.

Em relação à cobertura vacinal, dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) indicam que, em 2024, o Brasil alcançou 95,7% na cobertura da primeira dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e 74,6% na segunda dose. Contudo, em 2025, houve uma queda significativa, com índices de 91,2% e 74,6%, respectivamente, ficando abaixo da meta de 95%. Essas taxas indicam uma maior vulnerabilidade à ocorrência do sarampo e ressaltam a necessidade de intensificar a vacinação.

A abrangência geográfica do Brasil dificulta a obtenção de uma vacinação uniforme entre os municípios. É observado que as taxas vacinais variam significativamente dentro dos estados. No Rio de Janeiro, por exemplo, a cobertura na capital é satisfatória, mas quando se considera o estado na totalidade, ele apresenta uma das menores taxas do país.

Outro fator que complica a vacinação é a falta de percepção de risco por parte da população. Enquanto não há uma evidência clara do perigo, as pessoas tendem a desconsiderar a necessidade de vacinação. Esse fenômeno foi observado durante um surto de febre amarela, onde a cobertura vacinal era de apenas 40% até que a situação se tornasse crítica, gerando filas nos postos de saúde.

Em uma perspectiva global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reporta que, desde o início do ano até 9 de setembro, foram notificados 360.321 casos suspeitos de sarampo, dos quais 164.582 foram confirmados em 173 países. As regiões mais afetadas incluem o Mediterrâneo Oriental, África e Europa.

Nas Américas, foram confirmados 11.691 casos, com 25 mortes em dez países. O Canadá, México e Estados Unidos registraram as maiores quantidades de casos. Além disso, a Bolívia, Paraguai e Peru estão enfrentando surtos, enquanto a Argentina também registrou casos confirmados.

*Estagiário sob supervisão de Odair Braz Junior.

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