quinta-feira, março 26, 2026
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Bolívia em Eleições: Direita em Vantagem com 23% dos Votos em Suspenso

Neste domingo, 17 de dezembro, a Bolívia irá às urnas para eleger um novo presidente e renovar as cadeiras do Parlamento, que conta com 130 deputados e 36 senadores. As pesquisas apontam uma preferência pelos candidatos da direita, embora cerca de 23% do eleitorado ainda esteja indeciso, o que gera incertezas sobre o resultado das eleições.

O ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, que já ocupou a presidência em 2001 e 2002, é um dos líderes nas pesquisas, seguido por Samuel Doria Medina, um político considerado de direita mais moderada. A Bolívia, com sua população de aproximadamente 12 milhões de habitantes, faz fronteira com quatro estados brasileiros.

O Movimento ao Socialismo (MAS), partido que está no poder desde 2006, enfrenta uma divisão interna que pode sinalizar o fim dos governos de esquerda que perduram há quase duas décadas. Evo Morales, que não pode concorrer, tem incentivado o voto nulo, enquanto os candidatos da esquerda se encontram em posições menos favorecidas nas pesquisas, refletindo o desgaste do partido diante de uma crise econômica persistente.

Os principais candidatos da esquerda são Andrónico Rodríguez, atual presidente do Senado, e Eduardo del Castillo, ex-ministro do governo de Luis Arce, que anunciou não se candidatar à reeleição devido à baixa aprovação do governo. Atualmente, Quiroga e Medina estão em vantagem para um eventual segundo turno, programado para 19 de outubro.

A elevada porcentagem de votos nulos e de eleitores indecisos, além das dificuldades históricas para medir o apoio no meio rural, complicam ainda mais as previsões sobre os resultados eleitorais. Pesquisas divulgadas recentemente corroboram essa incerteza.

Quiroga, que já ocupou cargos importantes no governo, como ministro da Fazenda e vice-presidente, apresenta propostas de rompimento de relações com países como Venezuela, Cuba e Irã, mas não pretende sair do Brics, em função de laços comerciais com China e Índia. Ele sugere também repensar a participação da Bolívia no Mercosul e desenvolve uma proposta conjunta com Chile e Argentina para a exploração do lítio, mineral de alta relevância tecnológica.

Medina, também na corrida, já se candidatou anteriormente ao cargo de presidente e promete estabilizar a economia da Bolívia rapidamente, abordando questões fiscais e os subsídios do governo. A esquerda foi debilitada pela divisão interpartidária, especialmente entre os apoiadores de Morales e do atual presidente, Arce.

Rodríguez, que deixou o MAS, busca se distanciar das controvérsias internas e se firmar como a principal opção da esquerda, embora tenha perdido apoio entre algumas organizações de base do partido.

Para a especialista em política boliviana, as recentes mudanças nas intenções de voto não colocam a esquerda em uma posição igualitária frente à direita, refletindo a complexidade do atual cenário eleitoral e os desafios que a esquerda enfrenta para restaurar sua relevância na política do país.

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