quinta-feira, março 26, 2026
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Bolívia: A Direita Assume a Liderança nas Pesquisas Presidenciais Após 19 Anos

A Bolívia se prepara para as eleições gerais, marcadas para 17 de agosto, em um cenário de divisão no campo da esquerda e a liderança da direita nas intenções de voto. O ex-presidente Evo Morales, que está pregando o voto nulo, contribui para este desentendimento entre os grupos progressistas.

Nas pesquisas, o grande empresário Samuel Medina surge como o candidato mais forte, enquanto o ex-líder cocaleiro e atual presidente do Senado, Andrónico Rodríguez, não atinge dois dígitos nas intenções de voto. A eleição não se limita à presidência e vice-presidência; o país também escolherá 130 deputados e 36 senadores, em uma nação com cerca de 12 milhões de habitantes, que faz fronteira com o Brasil.

A divisão atual dentro do Movimento ao Socialismo (MAS), partido no poder desde 2006, pode marcar um novo capítulo no ciclo político da Bolívia, que já dura quase duas décadas. O MAS retornou ao governo em 2020, após as eleições que resultaram na vitória de Luis Arce, ex-ministro da Economia sob Morales, que obteve 55% dos votos. No entanto, o retorno de Morales do exílio trouxe conflitos internos, com parte do partido se afastando do governo.

Impedido de se candidatar novamente devido a limitação de mandatos, Morales tem atacado seus antigos aliados e articulado uma campanha pelo voto nulo. Em junho, manifestações a favor de sua candidatura resultaram em bloqueios de rodovias e geraram quatro mortes.

Frente a essa turbulência e à insatisfação com seu governo, que enfrenta uma crise econômica, o presidente Luis Arce desistiu de concorrer à reeleição. Em seu lugar, lançou a candidatura de Eduardo De Castillo, que apresenta baixa aceitação nas pesquisas.

Andrónico Rodríguez, que seria uma alternativa à esquerda, viu sua popularidade despencar nas últimas semanas, enquanto Eva Copa, ex-membro do MAS e atual prefeita de El Alto, também abandonou o sonho presidencial, alegando que seu partido ainda não estava pronto para tal.

Especialistas apontam que a insistência de Morales em ser o candidato do MAS prejudicou a unidade do partido, composto por diversas tendências. O perigo é que, devido às disputas internas, o MAS possa se tornar minoritário no parlamento, caso não atinja a cláusula de barreira de 3% de votos.

Do outro lado, a direita está em ascensão, com Samuel Medina e Jorge “Tuto” Quiroga liderando as intenções de voto, somando aproximadamente 47%. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de 50% mais um voto ou 40% com uma diferença de 10 pontos percentuais em relação ao segundo colocado. Isso poderia resultar em um segundo turno inédito programado para 19 de outubro.

Samuel Medina é um experiente político, já tendo sido candidato presidencial anteriormente e junto com Quiroga, ambos representam uma direita tradicional na Bolívia. Esse contexto político se insere em um cenário mais amplo de transformação que ocorreu na América Latina, com a ascensão de governos de esquerda desde os anos 2000.

A nova constituição boliviana, promulgada em 2009 sob Morales, baseou-se na plurinacionalidade, um reflexo da diversidade étnica do país. A expectativa será se um novo governo de direita conseguirá modificar essa nova institucionalidade, considerando a fragmentação atual. Especialistas acreditam que mudanças drásticas na constituição não devem ocorrer, uma vez que o novo governo precisará negociar com diversas forças políticas para governar efetivamente.

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