terça-feira, março 31, 2026
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Blocos pela saúde mental combatem preconceito e promovem inclusão no Rio

O Carnaval do Rio ganha caráter de inclusão por meio dos blocos dedicados à saúde mental, que ocupam diferentes regiões da cidade reunindo usuários da rede de atenção psicossocial, familiares, profissionais de saúde e moradores locais.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS-Rio) afirma que essas agremiações transformam a festa em espaço de conscientização, combate ao estigma e promoção do cuidado em liberdade. Ao longo do ano, os blocos também mantêm oficinas de música, fantasia, artesanato e percussão, ampliando a expressão artística e o diálogo com a sociedade.

Zona Mental
O Zona Mental, o mais recente entre os blocos de saúde mental, foi idealizado por usuários, familiares e profissionais da Rede de Atenção Psicossocial da Zona Oeste. Criado em 2015 e com o primeiro desfile em 2017, a agremiação reúne cerca de 14 a 15 serviços de saúde do município.

Em 2026, o bloco desfila no dia 6 de fevereiro, com concentração às 16h na Praça Guilherme da Silveira (Ponto Chic), em Bangu. A programação deste ano presta homenagem às populações nordestinas da Zona Oeste. O samba vencedor é de autoria do usuário do Caps Neusa Santos Marco Antonio Amaral e aborda o multi‑instrumentista Hermeto Pascoal, nascido em Alagoas e ligado à região de Bangu, que teria morrido no ano passado aos 89 anos. Artistas de escolas de samba como Unidos de Bangu e Mocidade Independente de Padre Miguel participam da festa.

Tá Pirando, Pirado, Pirou!
O bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! celebra em 2026 duas datas simbólicas: os 25 anos da Lei 10.216/2001, conhecida como Lei Antimanicomial, e os 21 anos de existência do próprio coletivo. O desfile ocorre em 8 de fevereiro, com concentração às 15h na Avenida Pasteur, na Urca, nas imediações da Unirio.

A homenagem proposta pelo bloco remete ao psiquiatra italiano Franco Basaglia, referência internacional para a reforma psiquiátrica, cuja influência também chegou ao Brasil na década de 1980. O desfile será acompanhado pela bateria da Portela e contará com a participação dos blocos convidados Céu da Terra e Vem Cá Minha Flor.

Contexto histórico
O processo de reforma psiquiátrica no Brasil foi marcado por mobilizações construídas a partir das denúncias contra instituições como o Hospital‑Colônia de Barbacena, onde milhares de pessoas morreram em condições degradantes. O Manifesto de Bauru, de 1987, instituiu o 18 de maio como Dia Nacional da Luta Antimanicomial e ajudou a consolidar a pauta que resultou na promulgação da Lei 10.216 em 2001.

Império Colonial
O Império Colonial terá enredo em homenagem ao artista plástico Arthur Bispo do Rosário, que viveu por quase meio século internado na Colônia Juliano Moreira após diagnóstico de esquizofrenia. O bloco foi criado em 2009 a partir de iniciativas culturais do Museu Bispo do Rosário, vinculado ao Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira (IMASJM), e ganhou sede no Centro de Convivência Pedra Branca em 2012.

O enredo do Império Colonial foi assinado pelo usuário do Caps Jovelina Pérola Negra Alex de Repix. O desfile está previsto para 10 de fevereiro, com concentração às 14h30 na Praça Nossa Senhora de Fátima, em Jacarepaguá. A agremiação é de pequeno porte, composta por cerca de 20 integrantes entre bateria, profissionais e usuários. Em 2025 o grupo não saiu às ruas, optando por um baile que reuniu cerca de 200 pessoas; a expectativa para 2026 é ampliar esse público.

Loucura Suburbana
O samba Para o povo poder cantar foi escolhido entre 25 concorrentes para embalar o desfile do Loucura Suburbana em 12 de fevereiro, que tem expectativa de público superior a 3 mil pessoas. Fundado em 2001, o bloco chega a 26 anos de atividade e concentra sua atuação no Engenho de Dentro, na Zona Norte.

O enredo aprovado para 2026 sintetiza temas vinculados à memória local, ao trabalho comunitário e ao papel social do próprio bloco, sob os títulos Baluartes, Território e Loucura. O Loucura Suburbana mantém um barracão para empréstimo de fantasias e oferece maquiagem carnavalesca gratuita no dia do desfile, facilitando a participação de foliões que não tenham recursos ou tempo para adquirir fantasias.

Impacto social
Esses blocos funcionam como espaços de convivência e cuidado, promovendo reintegração social por meio da cultura e fortalecendo laços entre serviços de saúde, usuários e comunidades. As iniciativas mostram como eventos populares podem servir também à promoção de direitos e à visibilidade de pautas ligadas à saúde mental.

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