quarta-feira, março 25, 2026
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Avanços nas negociações para um sistema de pagamento independente do Brics

As negociações para a criação de um sistema de pagamentos exclusivo entre os países do Brics, que elimina a necessidade de conversão para o dólar, avançaram, conforme indicado no comunicado emitido pelos ministros de Finanças e presidentes dos Bancos Centrais do grupo. O documento destaca o progresso na identificação de caminhos para a interoperabilidade dos sistemas de pagamentos entre os membros.

Os países estão se mobilizando para incentivar transações em suas moedas locais e reduzir os custos operacionais. No entanto, não foram fornecidos detalhes específicos sobre os avanços. As discussões continuarão no segundo semestre e devem ser revisitadas antes da Índia assumir a presidência do Brics em 1º de janeiro de 2026.

Apesar da falta de detalhes sobre o sistema de pagamentos, o comunicado menciona um relatório elaborado pelo Banco Central do Brasil, que descreve as preferências dos países em relação a pagamentos transfronteiriços, buscando tornar esses processos mais rápidos, baratos, acessíveis, eficientes, transparentes e seguros. Um sistema alternativo pode contribuir para um aumento no comércio e investimentos entre as nações do Brics.

Os ministros também anunciaram a revisão do Acordo de Reservas Contingentes (ARC), instituído em 2014 para oferecer suporte financeiro em situações de dificuldades no balanço de pagamentos. A atualização do acordo incluirá novas moedas, e as regras revisadas serão debatidas internamente nas próximas reuniões. Uma nova reunião, ainda sem data definida, avaliará a inclusão de novos membros no ARC.

No campo da transição ecológica, os países do Brics iniciaram discussões sobre uma linha de garantia multilateral, com o objetivo de minimizar riscos nas operações financeiras. Essa linha será desenvolvida pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), sem a exigência de aportes adicionais dos países. Um projeto piloto será apresentado em 2025, com reportagens feitas na Reunião de Cúpula do Brics de 2026, programada para ocorrer na Índia.

A agenda climática também foi abordada, enfatizando a necessidade de financiamento equitativo e acessível para promover transições justas, e propondo uma maior mobilização de capital privado para combater as mudanças climáticas.

O Brics é composto por 11 países membros permanentes: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, além de países parceiros. Com a presidência do Brasil, a 17ª Reunião de Cúpula do Brics acontece no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de julho. Esses países representam 39% da economia global, 48,5% da população mundial e 23% do comércio internacional. Em 2024, o Bloco foi responsável por 36% das exportações brasileiras e 34% das importações do Brasil.

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