segunda-feira, março 30, 2026
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Aumento do risco de complicações no parto devido a infecções por Aedes aegypti

As doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya, têm se tornado uma preocupação significativa para a saúde materno-infantil no Brasil. Um estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado na revista Nature Communications, analisou mais de 6,9 milhões de nascidos vivos entre 2015 e 2020 e identificou que a infecção por essas arboviroses durante a gestação está vinculada a um aumento das complicações no parto e riscos aos recém-nascidos.

A pesquisa, realizada por especialistas do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Fiocruz Bahia), demonstrou que as infecções elevam o risco de parto prematuro, baixo escore de Apgar e morte neonatal. Em especial, a dengue foi associada a complicações como o parto prematuro e a anomalias congênitas, que são alterações no desenvolvimento do feto. A zika, por outro lado, foi relacionada a um aumento mais acentuado nos casos de má-formação congênita, com o risco dobrando para os bebês de mães infectadas.

Os padrões de risco, conforme mencionado no estudo, diferem entre os tipos de vírus e os períodos de infecção durante a gravidez, ressaltando a importância da vigilância durante todos os trimestres da gestação. A descoberta sublinha a gravidade das consequências que a chikungunya e a dengue podem ter, não apenas a zika, contrariamente ao que se pensava anteriormente.

Diante dos dados, é imprescindível fortalecer as iniciativas de prevenção voltadas para as gestantes. Com a maior exposição ao mosquito transmissor em comunidades vulneráveis, os riscos de infecção e suas consequências tornam-se mais preocupantes, especialmente em famílias de baixa renda, que já enfrentam dificuldades financeiras com o cuidado de crianças que possam apresentar complicações.

Além disso, especialistas defendem a urgência na ampliação da cobertura vacinal contra dengue e a inclusão da vacinação contra chikungunya no calendário nacional de imunização. Para isso, é fundamental garantir que estas vacinas sejam disponibilizadas de forma gratuita e abrangente, independentemente da situação socioeconômica das famílias. Também são necessárias campanhas educativas para elevar a conscientização sobre os riscos das arboviroses durante a gestação, visto que a informação ainda é escassa, especialmente em comparação com os impactos da zika.

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