sexta-feira, março 27, 2026
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Após cinco anos de vacinação, Covid recua, mas preocupação persiste

A vacinação contra a covid-19, iniciada há cinco anos no Brasil, contribuiu para o controle da pandemia. Ainda assim, o vírus continua circulando em níveis bem inferiores aos observados no auge do surto, e a manutenção da imunização é considerada necessária para proteger quem não foi vacinado e os grupos com maior risco de evolução grave.

Em 2025, a utilização das doses disponíveis ficou aquém do esperado. Do total de 21,9 milhões de vacinas distribuídas pelo Ministério da Saúde a estados e municípios, apenas 8 milhões foram aplicadas, ou seja, menos de quatro de cada dez doses.

Dados da plataforma Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam impactos dessa baixa cobertura. Em 2025 foram registrados, até o momento, pelo menos 10.410 casos graves de covid-19 confirmados por teste laboratorial, com cerca de 1,7 mil óbitos. Esses números podem aumentar à medida que ocorram atualizações tardias nos registros do sistema de vigilância do Ministério da Saúde.

A inclusão da vacina contra a covid-19 no calendário básico nacional, em 2024, abrange crianças, idosos e gestantes. Pessoas em grupos especiais também devem receber doses de reforço periodicamente. Em 2025, foram aplicadas 2 milhões de doses no público infantil, mas o governo não detalhou o índice de cobertura atingido com esse total.

Painéis públicos de monitoramento mostram cobertura muito baixa em alguns subgrupos. Em 2025, apenas 3,49% do público-alvo com menos de 1 ano aparece como vacinado no painel disponível. O Ministério tem trabalhado na consolidação dos dados por coorte etária para refinar esses indicadores.

Historicamente, a vacinação infantil enfrentou dificuldades. Quando o programa para crianças começou em 2022, a adesão progrediu de forma lenta: até fevereiro de 2024, 55,9% das crianças de 5 a 11 anos e 23% das de 3 e 4 anos haviam recebido a vacina.

Risco em crianças e dados de gravidade
Crianças com menos de 2 anos são um dos grupos mais vulneráveis a complicações pela covid-19, perdendo apenas para os idosos em termos de gravidade. Entre 2020 e 2025, quase 20,5 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) foram notificados nessa faixa etária, com 801 óbitos. Em 2024, ano com circulação mais controlada, houve 2.440 internações e 55 mortes nesse grupo etário.

Também foram registrados casos da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), uma complicação rara associada à infecção. Entre 2020 e 2023, o país contabilizou cerca de 2,1 mil casos de SIM-P, com 142 óbitos. Estudos internacionais com grandes coortes pediátricas apontaram aumento de eventos cardiovasculares, como miocardite e tromboembolismo, após infecção por Sars-CoV-2.

Eficácia e segurança das vacinas
Dados de acompanhamento mostram proteção das vacinas em crianças. Em um estudo com 640 crianças e adolescentes vacinados com a Coronavac em São Paulo, 56 foram infectadas após a vacinação e nenhum caso evoluiu para gravidade. O monitoramento nacional de 2022 e 2023 registra mais de 6 milhões de doses aplicadas em crianças, com poucas notificações de eventos adversos e predominância de quadros leves.

Quem deve se vacinar e esquema recomendado
Bebês
– 1ª dose aos 6 meses.
– 2ª dose aos 7 meses.
– 3ª dose aos 9 meses (apenas para crianças que receberam vacina da Pfizer).

Crianças imunocomprometidas
– 1ª dose aos 6 meses.
– 2ª dose aos 7 meses.
– 3ª dose aos 9 meses (independente do imunizante).
– Dose de reforço a cada 6 meses.

Crianças indígenas, ribeirinhas, quilombolas ou com comorbidades
– Esquema básico semelhante ao das demais crianças.
– Dose de reforço anual.

Crianças com menos de 5 anos que ainda não foram vacinadas ou que não completaram o esquema
– Devem completar o esquema básico.

Gestantes
– Uma dose a cada gravidez.

Puérperas (até 45 dias após o parto)
– Uma dose, caso não tenham tomado durante a gravidez.

Idosos (a partir de 60 anos)
– Uma dose a cada 6 meses.

Pessoas imunocomprometidas
– Uma dose a cada 6 meses.

Grupos com indicação anual
– Pessoas em instituições de longa permanência, indígenas (em terra ou não), ribeirinhos, quilombolas, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente, com comorbidades, privadas de liberdade, funcionários do sistema prisional, pessoas em situação de rua e trabalhadores dos Correios: uma dose por ano.

Pessoas entre 5 e 59 anos que nunca foram vacinadas e não pertencem a grupos prioritários
– Uma dose.

A continuidade da vigilância e a consolidação dos dados por faixa etária são apontadas como prioridades para melhorar a cobertura vacinal e reduzir a ocorrência de casos graves.

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