quarta-feira, abril 1, 2026
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Alckmin: redução de tarifas nos EUA é benéfica, mas ainda existem distorções

Os Estados Unidos anunciaram a redução das tarifas de importação sobre cerca de 200 produtos alimentícios, um movimento considerado positivo pelas autoridades brasileiras, embora a manutenção de uma sobretaxa de 40% para itens provenientes do Brasil seja vista como um obstáculo significativo às exportações. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, citou a necessidade de corrigir distorções na tributação, uma vez que a alíquota para o Brasil permanece elevada comparada a outros países.

A nova medida foi divulgada após o governo americano retirar uma tarifa global, conhecida como “taxa de reciprocidade”, que havia sido implementada em abril. Enquanto a tarifa para a maioria dos países da América Latina era de 10%, o Brasil enfrenta uma alíquota adicional que foi reduzida de 50% para 40% apenas para alguns produtos, como café, carne e frutas.

O vice-presidente destacou que a redução tarifária é resultado de avanços nas negociações entre os líderes dos dois países, incluindo reuniões entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Donald Trump, além de conversas entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Os dados sobre as exportações mostram que, com a eliminação da tarifa global, o volume de produtos brasileiros isentos de sobretaxa aumentou de 23% para 26%, o que representa cerca de US$ 10 bilhões. No entanto, a balança comercial ainda enfrenta um déficit, que cresceu 341% entre agosto e outubro devido ao aumento das tarifas.

O impacto específico da redução das tarifas varia por setor. O suco de laranja foi um dos mais beneficiados, com a eliminação da alíquota de 10%, gerando um impacto positivo estimado em US$ 1,2 bilhão. Por outro lado, para o café, as tarifas caíram de 50% para 40%, mas as exportações brasileiras nesse segmento tiveram uma queda significativa nas vendas recentes.

Por fim, o governo dos Estados Unidos justifica essas mudanças como parte de sua estratégia para controlar a inflação alimentar e melhorar a oferta interna, ressaltando que este ajuste não implica em novas reduções tarifárias no curto prazo. Avanços nas negociações comerciais também foram evidenciados com recuos em tarifas para outros produtos, refletindo um esforço contínuo para melhorar a troca comercial entre os dois países.

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