A assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia continua pendente e enfrenta resistências políticas em alguns países europeus, como França e Itália. O governo brasileiro acompanha o processo, considerado relevante para o bloco e para o comércio internacional.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que o país busca ampliar acordos comerciais com parceiros estratégicos. Há expectativa de avanços nas negociações com o México até julho, com o objetivo de ampliar linhas tarifárias de preferência. Há igualmente intenção de progressos nas tratativas com a Índia. com Canadá e Emirados Árabes Unidos, o objetivo é aprofundar discussões rumo a acordos mais amplos de livre comércio.
Em razão da recente elevação de tarifas pelo México, o ministério informou que acordos já vigentes, como o setor automotivo, não serão afetados. O impacto estimado das medidas caiu para cerca de US$ 600 milhões, abaixo da projeção inicial que superava US$ 1 bilhão.
Apesar do crescimento de medidas protecionistas no cenário internacional, incluindo tarifas adotadas pelos Estados Unidos, a previsão do ministério é de que o Brasil feche o ano com recorde de exportações. Segundo a avaliação técnica, a maior parte das vendas brasileiras ao mercado norte-americano ocorre com tarifas baixas ou nulas.
Na agenda econômica apresentada pelo ministério estão medidas de desburocratização, estímulo ao investimento estrangeiro e fortalecimento da indústria. Entre os projetos anunciados está a criação da Janela Única de Investimento, prevista para início de 2026 em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A ferramenta terá a função de centralizar processos e reduzir custos para investidores.
O ministério também destacou a plataforma Camex 360, em operação, que reúne informações sobre tarifas, processos antidumping e decisões de comércio exterior.
No setor automotivo, foi detalhado um programa de crédito para renovação da frota de caminhões, com foco em segurança viária, saúde pública e estímulo à indústria. O programa foi regulamentado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e prevê financiamento com juros diferenciados para motoristas autônomos e frotistas, condicionado ao descarte de veículos antigos.
A Medida Provisória 1.328, editada na terça-feira (16), garantiu R$ 6 bilhões ao programa. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aportará R$ 4 bilhões, elevando a linha especial de crédito a R$ 10 bilhões.
No segmento de veículos de passeio, o ministério apontou crescimento nas vendas de modelos considerados de entrada e sustentáveis, impulsionado por incentivos tributários classificados como fiscalmente neutros.



