A articulação entre agricultores familiares, Agraer e Vigilância Sanitária tem transformado a agroindustrialização da mandioca em Sidrolândia em uma alternativa econômica viável e rentável. O município já registra 14 agroindústrias de mandioca formalizadas com acompanhamento técnico e tem projeção de chegar a cerca de 40 unidades este ano se consideradas outras cadeias produtivas.
A assistência técnica da Agraer inclui visita a propriedades, avaliação das estruturas existentes, elaboração de plantas baixas e orientação sobre o fluxo de produção. As intervenções visam adequar espaços, separar áreas limpas e sujas e reduzir riscos de contaminação, permitindo que o produto chegue legalmente às prateleiras de supermercados e aos programas de compras públicas.
A atuação da Agraer conta com profissionais dedicados ao fortalecimento da agroindústria familiar. Entre eles está a assistente social Maria Clara Meurer, que tem mais de duas décadas de trabalho no setor e 11 anos focada no desenvolvimento de agroindústrias locais. No nível central, o Setor de Agroindústria Rural e Políticas Públicas de Compras de Alimentos da Agraer presta suporte na elaboração de rótulos, emissão de selo da agricultura familiar, códigos de barras, capacitações e cadastramento no Prove Pantanal, com participação das servidoras responsáveis por essas ações.
Vigilância Sanitária e programas estaduais também desempenham papel relevante. A Vigilância atua no enquadramento das normas técnicas aplicáveis às agroindústrias familiares, viabilizando adequações graduais e acompanhamento técnico. O Prove Pantanal — Programa de Verticalização da Produção Agropecuária do Mato Grosso do Sul — oferece tratamento tributário diferenciado, com isenção de ICMS, e possibilita o cadastro do empreendimento por meio do CPF e inscrição estadual do agricultor familiar, sem exigir a abertura de empresa com CNPJ.
Casos locais ilustram os benefícios da formalização. A agricultora Maria Helena Echeverria estruturou sua agroindústria no assentamento Eldorado II com apoio da Agraer em 2012. Desde então fornece mercados e programas como PNAE e PAA. Com rótulo, selo da agricultura familiar e código de barras, sua produção chega a cerca de 6.000 quilos de mandioca por mês, gerando renda líquida superior a R$ 7.000 mensais.
O casal Silvana e Moacir Plizzari regularizou a agroindústria “Família” em 2023 com orientação técnica e passou a registrar aumento de renda de aproximadamente 50%. Eles comercializam em média 600 quilos por semana — cerca de 4.000 quilos por mês — atendendo mercados e restaurantes, inclusive em pontos da rodovia de acesso à rota turística de Bonito. A formalização também elevou o valor agregado do produto: enquanto a venda da mandioca na caixa costumava variar entre R$ 35 e R$ 50 por unidade (uma caixa com cerca de 22 kg), o produto descascado e processado alcança preços próximos a R$ 5 por quilo, resultando em ganho significativo por quilo comercializado.
Na Agroindústria Santa Lúcia, os produtores Dirlei Rodrigues e Rosângela Miranda investiram cerca de R$ 25 mil de recursos próprios de forma gradual. Hoje atendem 15 clientes fixos, produzem em média 4.000 quilos de mandioca por mês e obtêm renda líquida que varia entre R$ 10 mil e R$ 15 mil mensais, já descontados os custos de produção.
O mercado varejista local também demonstra a importância da formalização. Um supermercado de Sidrolândia compra cerca de 2.000 quilos por mês de produtores formalizados, evidenciando demanda constante e preferência do consumidor por produtos com identidade e regularidade de fornecimento.
A experiência de Sidrolândia mostra que a regularização da agroindústria pode ampliar mercados, garantir acesso a compras públicas e aumentar a renda das famílias. O trabalho coordenado entre assistência técnica, fiscalização orientadora e programas estaduais tem sido decisivo para transformar a agroindústria familiar em um vetor de desenvolvimento local.
Fonte: Agraer



