Um estudo divulgado durante a COP 30, coordenado pela ONG ProVeg Brasil e elaborado pela Organização Cooperativa de Agroecologia, sugere um caminho inovador para o desenvolvimento rural sustentável no Brasil. A pesquisa indica que a transição da pecuária para sistemas agroflorestais vegetais pode resultar em um aumento de 110% na renda líquida dos produtores rurais.
Esses sistemas consistem na conversão de pastagens em áreas de produção de alimentos vegetais, utilizando técnicas que regeneram terras degradadas e criam mais empregos. Um projeto piloto já está em andamento em Ortigueira, no Paraná, onde a pecuária é uma das maiores fontes de emissões de gases de efeito estufa no país, respondendo por mais da metade dessas emissões. O metano gerado pelo gado possui um potencial de aquecimento 80 vezes maior que o do dióxido de carbono. Além disso, a pecuária está diretamente relacionada ao desmatamento, com mais de 90% da devastação da Amazônia ocorrendo para dar espaço a pastagens, que ocupam 20% do território nacional.
A proposta de sistemas agroflorestais apresenta diversas vantagens. A produção desse tipo requer 12 vezes menos terra para gerar a mesma receita que a pecuária. O acesso a mercados diferenciados também é um atrativo, com oportunidades em mercados institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), além de possibilidades de exportação para produtos como café e cacau. Essa abordagem pode resultar em prêmios que aumentam o valor agregado aos produtos do sistema agroflorestal.
De acordo com a pesquisa, a transformação de apenas 10% dos pastos degradados em agroflorestas pode contribuir com 5% das metas nacionais estabelecidas no Acordo de Paris.



