terça-feira, março 31, 2026
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Acesso à universidade para jovens negros: desafios na inserção no mercado de trabalho

A pesquisa denominada “Juventudes Negras e Empregabilidade” revela que, apesar do aumento no acesso de jovens negros à educação, isso não se traduz em inclusão profissional na mesma medida. O estudo foi apresentado recentemente na 4ª Conferência Empresarial ESG Racial, que ocorreu em São Paulo, e foi elaborado pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial em parceria com a Fundação Itaú.

O Índice ESG de Equidade Racial da Juventude Negra (IEERJN) mostrou, em 2023, uma marca de aproximadamente -0,38 para Pós-Graduação e -0,29 para Ensino Superior. Esse índice negativo indica um descompasso entre a educação adquirida e a inclusão no mercado de trabalho. Para o Ensino Fundamental Completo, o índice foi de -0,01, próximo da equidade, enquanto o Fundamental Incompleto registrou cerca de +0,15.

A pesquisa aponta que a exclusão racial se agrava nas profissões que oferecem maior remuneração, afetando especialmente as áreas de engenharia, direito e tecnologia. Os dados indicam que jovens negros com ensino fundamental, tanto completo quanto incompleto, estão em uma posição mais próxima da equidade racial ao longo do tempo. Em contraste, aqueles com níveis mais altos de escolaridade enfrentam maiores obstáculos. Essa situação evidencia a segregação ocupacional, que mantém a maioria das pessoas negras em posições de baixa hierarquia e remuneração.

A pesquisa destaca ainda que o acesso à educação é essencial para mitigar desigualdades, mas não é suficiente. Profissionais negros, mesmo com formação equivalente à de colegas brancos, continuam a enfrentar barreiras, como o racismo no ambiente corporativo. A necessidade de combater o racismo estrutural é enfatizada.

No que diz respeito às mulheres jovens negras, a desigualdade é ainda mais acentuada. Elas ocupam as posições mais baixas na hierarquia salarial e estão entre as que mais realizam trabalho doméstico não remunerado, além de estarem mais vulneráveis a gestações em idade precoce.

Os índices para as mulheres jovens negras por escolaridade (RAIS) em 2023 foram de -0,33 para Pós-Graduação; -0,31 para Ensino Superior; e -0,37 para Ensino Médio. Apesar de as jovens negras apresentarem melhores resultados em níveis superiores de ensino, uma vez que superam as barreiras de acesso à universidade, elas ainda enfrentam desafios significativos em termos de salários e acessibilidade a cargos de liderança.

A pesquisa evidencia que o empreendedorismo é frequentemente uma alternativa buscada por mulheres negras para sustentar suas famílias, devido às dificuldades no mercado formal. No entanto, mesmo com a graduação e maior mobilidade social, elas não necessariamente alcançam uma situação econômica estável, lidando frequentemente com salários mais baixos e barreiras para cargos de liderança.

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