sábado, março 28, 2026
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Abin afirma que projeto das UPPs contribuiu para a disseminação do CV pelo Brasil

A implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro motivou a expansão da facção criminosa Comando Vermelho (CV) para outros estados do Brasil. Essa análise foi apresentada na última quinta-feira (6) pelo coordenador Geral de Análise de Conjuntura Nacional da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), durante audiência na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência.

Conforme expôs o coordenador, a criação das UPPs forçou os líderes do CV a deixar o Rio, o que, por sua vez, facilitou a ampliação da atuação do grupo em outras regiões do país. A migração dos chefes da facção começou em 2013 e atingiu seu auge no último ano, com a presença do CV em estados como Tocantins, Pará, Rondônia e Santa Catarina.

Nos últimos dez anos, o crescimento do CV tem sido expressivo. Atualmente, a facção não possui destaque apenas em Roraima e Amapá, mas está presente em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Além disso, exerce influência em outras unidades federativas.

A estratégia do CV também envolveu colaborações com grupos criminosos que enfrentam o Primeiro Comando da Capital (PCC), que opera principalmente em São Paulo. Essa parceria resultou na oferta de uma rede logística para armas e drogas, permitindo maior proliferação da organização.

Durante a audiência, o coordenador destacou que, enquanto o CV se expande pelo território nacional, o PCC busca ampliar sua atuação internacionalmente, intensificando suas ações fora do Brasil desde 2016. Em 2018, a facção tinha membros em 11 países e, atualmente, esse número saltou para 28, com mais de 2 mil integrantes.

O governo do Rio de Janeiro, ao ser consultado, afirmou que a nacionalização do Comando Vermelho não pode ser atribuída exclusivamente às UPPs. A Secretaria Estadual de Segurança Pública reconheceu que a implementação inicial das UPPs focou na ocupação territorial, sem o suporte adequado de políticas públicas. Essa falta de acompanhamento contribuiu para a migração de criminosos para outras áreas, impulsionando a expansão da facção.

A Secretaria enfatizou que diversos fatores estão por trás desse movimento e reiterou a importância da colaboração entre os governos federal, estadual e municipal no combate ao narcotráfico.

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