segunda-feira, março 30, 2026
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Professora de Gaza ressalta dedicação para garantir a educação durante o conflito

Em meio a uma grave crise humanitária e de destruição em Gaza, professores universitários estão adaptando suas práticas para garantir a continuidade da educação dos alunos. Eles têm gravado aulas que podem ser assistidas remotamente e deixado materiais em bibliotecas comunitárias. Esta situação foi destacada pela professora Hala El-Khoondar, da Universidade Islâmica de Gaza, durante a 17ª Conferência Geral da Academia Mundial de Ciências, encerrada recentemente no Rio de Janeiro.

Os docentes enfrentam desafios significativos, enquanto os estudantes, cujas vidas estão em risco, tentam equilibrar os estudos com as dificuldades cotidianas, como a busca por alimentos, água e acesso à eletricidade nos poucos locais com energia solar.

El-Khoondar chamou a atenção de aproximadamente 300 pesquisadores presentes ao compartilhar a carga emocional e os obstáculos enfrentados por estudantes e acadêmicos em Gaza, região que tem sido alvo de bombardeios e restrições por muitos anos. A recente ofensiva israelense resultou na destruição de várias instituições educacionais, incluindo a Universidade Islâmica de Gaza, que contava com cerca de 18 mil alunos, além de possuir aproximadamente 200 laboratórios e 20 institutos de pesquisa.

O presidente da universidade, Sufyan Tayeh, foi uma das vítimas dos ataques, perdendo a vida em um bombardeio em dezembro de 2023, juntamente com sua família.

A professora destacou as dificuldades em buscar oportunidades de pesquisa fora de Gaza, considerando a falta de infraestrutura na região e as barreiras impostas nas fronteiras controladas por Israel, além da destruição do aeroporto local.

Hala El-Khoondar, especializada em sistemas de energia solar e em fibras e sensores ópticos, atualmente reside na Inglaterra, onde trabalha no Imperial College, e expressou seu profundo desespero diante da perda de alunos a cada semestre.

A 17ª Conferência da Academia Mundial de Ciências (TWAS) debateu o fortalecimento da pesquisa nos países do Sul Global e abordou temas emergentes, como regulação da inteligência artificial, mudanças climáticas e segurança alimentar. Esta edição foi notável, pois pela primeira vez foi liderada por um brasileiro, o físico Marcelo Knobel.

Knobel enfatizou a importância do intercâmbio científico entre as academias dos países do Sul Global, observando que 60% da ciência global atual é produzida em nações de renda baixa e média, um cenário que tem se transformado significativamente nos últimos anos.

A conferência também premiou dois cientistas brasileiros de renome mundial: Maria Cecília Minayo, na área de ciências sociais, e Luiz Davidovich, que recebeu o prêmio TWAS-Apex, destacando a contribuição para a ciência e tecnologia quânticas. O evento contou com a organização da Academia Brasileira de Ciências, com apoio da Finep e do BNDES, além da colaboração da Capes.

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