sexta-feira, abril 3, 2026
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Avanços na assistência ao parto no Brasil e os desafios do pré-natal

Dados da mais abrangente pesquisa sobre parto e nascimento no Brasil revelam avanços significativos na prática hospitalar. A frequência de episiotomias, um corte no canal vaginal que visa facilitar a passagem do bebê, caiu drasticamente de 47% para 7% entre os partos vaginais realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em aproximadamente uma década. A manobra de Kristeller, que envolve pressão abdominal para acelerar o parto, também apresentou uma redução expressiva, passando de 36% para 9%.

No setor privado, a queda é ainda mais acentuada: apenas 2% das mulheres que tiveram parto vaginal relataram ter submetido-se à manobra, que é considerada uma forma de violência obstétrica e pode trazer riscos tanto para a mãe quanto para o bebê. Essas informações são parte da Pesquisa Nascer no Brasil 2, conduzida pela Fiocruz, que analisou dados de mais de 22 mil mulheres entre 2021 e 2023.

Recentemente, pesquisadores divulgaram resultados específicos do estado do Rio de Janeiro, além de comparativos com dados nacionais. Constatou-se um aumento na quantidade de mulheres que puderam se alimentar e se mover durante o trabalho de parto, além de uma preferência acentuada por posições verticalizadas, que favorecem o nascimento.

Por outro lado, a porcentagem de mulheres que tiveram acesso à analgesia durante o parto no SUS viu queda de 7% para 2% em nível nacional, com apenas 1% no Rio de Janeiro. Em serviços privados, a redução foi de 42% para 33%, atingindo 30% no estado. O uso de analgesia mostrou-se benéfico para aumento da probabilidade de partos vaginais.

No entanto, os índices de partos normais e cesarianas continuam a ser um desafio. A proporção de cesarianas no SUS aumentou de 43% para 48% em comparação com a primeira edição da pesquisa, divulgada em 2014. A maioria dessas cesarianas ocorreu após o início do trabalho de parto, representando 13% do total no Brasil. A taxa de partos vaginais no SUS ficou em 52% no país e 50% no estado.

No setor privado, o índice de cesarianas foi de 81% nacionalmente e 86% no Rio de Janeiro, sendo que apenas 9% e 7% ocorreram após o início do trabalho de parto, respectivamente. Apesar disso, houve um leve aumento nos partos vaginais no Brasil, de 12% para 19%, enquanto a Organização Mundial da Saúde recomenda que a taxa de cesarianas não ultrapasse 15%.

No que diz respeito ao pré-natal, os dados não são tão otimizados. Embora 98,5% das mulheres do Rio de Janeiro tenham recebido acompanhamento, apenas um terço tinha registros completos de aferição de pressão arterial e de exames de glicemia, fundamentais para detecção de complicações como hipertensão e diabetes. Além disso, menos de 34% tinham prescrição de ácido fólico, essencial para o desenvolvimento fetal, e apenas 31,6% foram vacinadas contra tétano e hepatite B, imunizações recomendadas durante a gestação.

A pesquisa destacou também problemas no acompanhamento de gestantes de alto risco, que frequentemente não tiveram acesso a consultas com especialistas e muitas vezes não realizaram os exames recomendados. A inadequação no atendimento, especialmente para essas mulheres, é uma preocupação ressaltada pelos pesquisadores.

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