domingo, março 29, 2026
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FGV: Economia desacelera e cresce 0,5% no 2º trimestre devido a juros altos

A economia brasileira registrou um crescimento de 0,5% entre o primeiro e o segundo trimestre de 2024, evidenciando uma desaceleração em relação ao aumento de 1,3% observado no primeiro trimestre. Esses dados são parte do Monitor do Produto Interno Bruto (PIB), um estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (18) no Rio de Janeiro.

O Monitor do PIB fornece estimativas sobre a produção total de bens e serviços no país e serve como um indicativo prévio do dado oficial, que é divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A análise também apontou uma expansão de 0,5% na economia de maio para junho, considerando variações dessazonalizadas para evitar distorções nas comparações. Em termos anuais, o crescimento do PIB foi de 2,4% no segundo trimestre em comparação ao mesmo período de 2023, enquanto o crescimento acumulado nos últimos 12 meses atingiu 3,2%. A estimativa da FGV para o PIB do primeiro semestre de 2024 é de R$ 6,109 trilhões.

O desempenho positivo do segundo trimestre é atribuído, em grande parte, aos setores de serviços e da indústria. Embora a atividade de serviços tenha mostrado crescimento diversificado, a indústria teve seu desempenho positivo concentrado na atividade extrativa, indicando uma fragilidade no setor.

A desaceleração no crescimento é atribuída à ausência da forte contribuição da agropecuária, que beneficiou o primeiro trimestre, e aos efeitos prolongados das taxas de juros elevadas sobre a atividade econômica. O consumo das famílias cresceu, mas os índices têm mostrado uma queda contínua desde o final de 2023.

A recente elevação das taxas de juros, iniciada em setembro do ano passado, elevou a Selic de 10,5% para 15%, o maior nível desde julho de 2006. Essa taxa, decidida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, tem como objetivo controlar a inflação, que está acima do teto da meta estipulada pelo governo.

A alta nos juros resulta em empréstimos mais caros, tanto para pessoas físicas quanto para empresas, o que tende a desestimular investimentos e contribuir para a desaceleração econômica. De acordo com o Banco Central, os efeitos das alterações na Selic sobre a inflação levam entre seis e nove meses para se manifestar.

Além do Monitor do PIB, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), também divulgado hoje, indicou um crescimento de 0,3% entre os dois trimestres. O resultado oficial do PIB do segundo trimestre será apresentado pelo IBGE no dia 2 de setembro.

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