quinta-feira, março 26, 2026
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A contribuição dos médicos cubanos no programa Mais Médicos: uma análise detalhada

O programa Mais Médicos recebeu críticas dos Estados Unidos na quarta-feira (13), mas continua a gozar de alta aprovação popular. Desde sua implementação em 2013, o programa tem disponibilizado serviços de saúde a mais de 66,6 milhões de brasileiros em mais de 4 mil municípios, conforme dados do Ministério da Saúde.

Até 2018, médicos cubanos foram a principal força de trabalho do programa, representando a maior parte dos profissionais. Hoje, eles constituem cerca de 10% dos mais de 26 mil médicos que atuam no Mais Médicos. Ao todo, Cuba mantém aproximadamente 24 mil médicos em 56 países, sendo reconhecida por seus altos índices de saúde pública.

Uma recente declaração do Departamento de Estado dos EUA revogou os vistos de funcionários brasileiros e de ex-membros da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), alegando envolvimento em um “esquema de exportação de trabalho forçado” relacionado ao programa. Este anúncio foi feito pelo secretário de Estado, Marco Rubio.

O programa teve um impacto significativo no acesso à saúde. No primeiro ano, a cobertura de atenção básica aumentou de 10,8% para 24,6%. Dados indicam que a atenção básica concentra cerca de 80% dos problemas de saúde da população. O governo brasileiro, por sua vez, defende que a colaboração dos profissionais cubanos foi fundamental para enfrentar a deficiência no atendimento médico em diversas regiões do país.

De 2013 a 2018, os médicos cubanos atuaram sob um acordo com a Opas. Estados Unidos impõem um bloqueio econômico a Cuba há mais de 60 anos, buscando a mudança do regime político na ilha. Desde a administração de Donald Trump, as pressões sobre países que acolhem médicos cubanos têm aumentado.

Muitos países caribenhos se posicionaram a favor das cooperações médicas de Cuba, rebatendo as críticas dos EUA. O programa de exportação de médicos cubanos existe desde a década de 1960, tendo beneficiado 165 nações ao longo das décadas.

No contexto do Mais Médicos, a prioridade sempre foi para médicos brasileiros. A presença de profissionais estrangeiros ocorreu quando as vagas não eram ocupadas por brasileiros, especialmente em áreas com carência de atendimento.

Estatísticas revelam que os cubanos, em seu auge, constituíram 64% do total de médicos no programa, mas esse número diminuiu ao longo dos anos. Atualmente, dos 26 mil médicos no programa, 2,6 mil são cubanos, que atuam através de uma modalidade diferente da anterior, agora sendo aberta a todos os profissionais estrangeiros interessados.

O programa surgiu para atender comunidades de difícil acesso, e sua aceitação é alta entre a população atendida. Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) junto ao Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), com cerca de 14 mil entrevistados, mostrou que 95% dos pacientes estão satisfeitos com os serviços prestados. A nota média dada pelos usuários foi de 8,4, com uma avaliação ainda melhor entre comunidades indígenas.

Um estudo da Opas ressaltou a qualidade do atendimento, destacando a melhoria nas relações entre médicos e pacientes, bem como uma significativa redução nos tempos de espera por consultas, embora o idioma tenha se mostrado uma barreira que foi atenuada mediante esforços comunicacionais.

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