quinta-feira, março 26, 2026
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Ilan Pappe afirma que Israel comete genocídio, colonização e apartheid

O historiador israelense antissionista Ilan Pappe abordou a situação de Gaza em um evento realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), afirmando que a terminologia utilizada para descrever os acontecimentos na região deve ser precisa. Pappe classificou as ações do Estado de Israel como genocídio, colonização, limpeza étnica e apartheid.

O professor da Universidade de Exeter, na Inglaterra, destacou a importância de reconhecer esses termos não apenas em referência aos eventos mais recentes, mas em um contexto histórico que abrange os últimos 140 anos. Ele criticou a linguagem adotada por mídias e instituições acadêmicas, argumentando que isso perpetua uma visão distorcida que favorece o projeto sionista e justifica as ofensas contra a população palestina.

Pappe também comentou sobre a abordagem da história da Palestina nas universidades, principalmente no Hemisfério Norte, onde o sionismo raramente é ensinado como um projeto colonial. Ele enfatizou que, dentro desse contexto, há pouca expectativa de que as nações do Norte Global tomem medidas concretas para frear as ações de Israel em relação aos palestinos.

Para ele, é fundamental que essa questão seja explorada em estudos acadêmicos, afirmando que a limpeza étnica é mais do que uma política; é uma ideologia. Pappe alertou que, sem uma análise crítica da conexão entre a ideologia sionista e o genocídio, as medidas do Estado israelense continuarão a ser realizadas impunemente.

O historiador observou que o projeto sionista foi inicialmente apresentado como um movimento de retorno, mas na prática configurava-se como um projeto de colonização. Ele criticou a forma como os palestinos eram rotulados, sugerindo uma imagem distorcida que minimiza o impacto de suas lutas.

Pappe também expressou frustração com a falta de mudanças na narrativa, mesmo diante do horror exposto em imagens de Gaza. Ele mencionou que acadêmicos que rotulam os atos enfrentam ameaças e são frequentemente acusados de terrorismo.

O evento contou com a participação de diversas personalidades defensoras da Palestina, que também destacaram as questões de colonização, limpeza étnica, apartheid e a atual situação em Gaza. Entre os presentes estavam Arlene Clemesha, Francisco Rezek, Paulo Casella, Paulo Sérgio Pinheiro, Soraya Misleh, Júlia Wong e Maira Pinheiro.

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