Um grupo de 11 senadores dos Estados Unidos, todos do Partido Democrata, enviou uma carta ao presidente Donald Trump, solicitando a revogação das tarifas comerciais impostas sobre produtos brasileiros. A iniciativa partiu de Jeanne Shaheen, do New Hampshire, e Tim Kaine, da Virgínia, ambos integrantes da Comissão de Relações Exteriores do Senado.
No documento, os senadores expressaram suas preocupações sobre a possibilidade de uma guerra comercial com o Brasil, afirmando que as questões comerciais entre os países deveriam ser debatidas de maneira construtiva, em vez de ameaças tarifárias.
As tarifas anunciadas pelo governo norte-americano preveem uma cobrança de 50% sobre todas as exportações brasileiras, com a implementação programada para o dia 1º de agosto. Os senadores destacaram que tais medidas podem elevar os custos para famílias e empresas dos EUA. Atualmente, os Estados Unidos importam mais de US$ 40 bilhões em produtos brasileiros anualmente, o que inclui quase US$ 2 bilhões em café. Eles alertaram que cerca de 130 mil empregos americanos estão em risco devido a essas tarifas.
Além disso, os senadores chamaram a atenção para o panorama geopolítico, mencionando o crescente investimento da China na América Latina. Alertaram que uma guerra comercial com o Brasil poderia favorecer a aproximação do país com a China, um dos rivais comerciais dos EUA.
O documento também criticou a suposta intervenção do governo norte-americano no sistema judicial do Brasil, particularmente em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta acusações locais. Os senadores enfatizaram que interferir em processos legais de uma nação soberana gera um perigo e pode resultar em retaliações.
Ademais, os senadores condenaram as sanções de visto impostas a autoridades do Supremo Tribunal Federal brasileiro, considerando-as uma forma de priorizar interesses pessoais em detrimento dos interesses dos cidadãos americanos.
A carta conclui com um pedido para que o presidente reavalie suas ações, enfatizando a necessidade de promover relações comerciais que beneficiem ambos os países, assim como garantir a realização de eleições democráticas e conter a influência chinesa na região.
Além de Kaine e Shaheen, a carta foi assinada por outros senadores, incluindo Adam Schiff (Califórnia), Dick Durbin (Illinois), Kirsten Gillibrand (Nova York), Peter Welch (Vermont), Catherine Cortez Masto (Nevada), Mark R. Warner (Virgínia), Jacky Rosen (Nevada), Michael Bennet (Colorado) e Raphael Warnock (Geórgia).



