segunda-feira, novembro 2, 2026

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Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas reconhece iniciativas de combate ao feminicídio

# Bahia, Botafogo e Internacional disputam prêmio por ações contra o feminicídio

Bahia, Botafogo e Internacional são os finalistas da categoria Futebol Feminino Contra o Feminicídio do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas 2026. A modalidade reconhece clubes da primeira divisão nacional que desenvolvem iniciativas de prevenção ao assédio e à violência de gênero.

A escolha dos finalistas foi feita por um júri formado exclusivamente por mulheres, entre jornalistas, comunicadoras, personalidades e profissionais ligadas ao futebol feminino e à promoção da igualdade de gênero.

O vencedor será anunciado em 15 de novembro, durante cerimônia no Museu do Futebol, em São Paulo. O evento também divulgará os premiados em categorias como Craque da Torcida, Jogadora Revelação, Melhor Treinador(a), Melhor Jogadora, Artilheira, Gol Mais Bonito, Melhor Departamento de Futebol Feminino e Seleção da Temporada.

A premiação ocorre em meio ao crescimento dos registros de feminicídio no país. Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, publicado em março, apontou 1.568 mulheres mortas por crimes de gênero em 2025 — uma vítima a cada cinco horas e 36 minutos. O total representa alta de 4,7% em relação ao ano anterior.

Segundo o estudo, 62,6% das vítimas eram mulheres negras, e a faixa etária mais atingida foi a de 30 a 39 anos, que concentrou 28,3% dos casos. Entre os 5.729 feminicídios contabilizados de 2021 a 2024, 66,3% ocorreram na residência da vítima. Mais de 80% dos crimes foram praticados por parceiros ou ex-parceiros.

## Ações dos finalistas

O Bahia aderiu no início da temporada à campanha Feminicídio Zero, promovida pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia. Durante partida contra o Galícia, pelo Campeonato Baiano, o clube utilizou faixas de conscientização e entrou em campo com uniforme roxo ligado à mobilização.

Na área externa da Arena Fonte Nova, em Salvador, uma unidade móvel ofereceu acolhimento e informações sobre serviços de proteção às mulheres.

Também em 2026, o Bahia desenvolveu a ação Terceiro Tempo, em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas e a agência Propeg. A iniciativa abordou o aumento de agressões de gênero em dias de jogos de futebol.

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mencionada pela campanha indicou crescimento de 27,4% nos registros de ameaças e de 28,8% nos casos de lesão corporal em contexto de violência doméstica nos dias de partidas.

Após jogo contra o Internacional, em 30 de agosto, um grupo de mulheres permaneceu em setor da Fonte Nova para uma ação visual que alertava para os riscos enfrentados por vítimas de violência dentro de casa.

O Botafogo mantém desde 2022 o projeto A Hora Delas, voltado à ampliação da segurança e da participação feminina no futebol. O Estádio Nilton Santos foi o primeiro do Rio de Janeiro a instalar, durante partidas, um posto destinado ao recebimento de denúncias de assédio e violência de gênero.

A estrutura conta com apoio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e do Juizado Especial Criminal. O clube também promove capacitação para funcionários envolvidos na realização dos jogos e para equipes terceirizadas de segurança.

A campanha foi estampada no uniforme especial usado pelo Botafogo na partida contra o Remo, no Mangueirão, em Belém. A camisa, relacionada ao Outubro Rosa, teve listras rosas e brancas inspiradas nas flores de cerejeira japonesas.

Em novembro do ano passado, Botafogo e Corinthians realizaram uma ação conjunta na Neo Química Arena. Os números dos uniformes foram elaborados a partir de radiografias de mulheres vítimas de agressões, e as camisas apresentaram nomes de mais de 40 vítimas de feminicídio.

O Internacional destaca ter tido, em 1918, uma das primeiras mulheres associadas a um clube brasileiro: Maria Von Ockel. Em 2025, o time gaúcho aderiu ao movimento Banco Vermelho e instalou um banco pintado de vermelho nas dependências do Beira-Rio, em Porto Alegre.

A iniciativa, criada na Itália, utiliza o banco vermelho como símbolo das vítimas de feminicídio e como alerta sobre a necessidade de enfrentamento à violência de gênero. O espaço permite que visitantes deixem mensagens de apoio.

Em abril deste ano, o Museu do Inter sediou um encontro sobre a presença feminina nas arquibancadas e o combate ao feminicídio. A programação reuniu atividades sobre assédio, violência de gênero e medidas de prevenção, com apoio do clube e organização do núcleo feminino da torcida Guarda Popular.

Na final do Campeonato Gaúcho masculino, disputada em 8 de março, Internacional e Grêmio entraram em campo com mensagens de combate à violência contra as mulheres e divulgação do telefone 181, do Disque-Denúncia. O telão do Beira-Rio também exibiu o número de feminicídios registrados no Rio Grande do Sul até aquele momento de 2026, dentro da campanha estadual Não Maquie, Denuncie.

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