**ONU aprova resolução contra bloqueio a Cuba com menor apoio em 30 anos**
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, na terça-feira (29), uma resolução que pede o fim do bloqueio econômico dos Estados Unidos contra Cuba. O texto recebeu 130 votos favoráveis, entre eles o do Brasil, 17 contrários e 25 abstenções.
O resultado representa o menor número de votos favoráveis à medida em três décadas. Em anos anteriores, a proposta chegou a superar 190 apoios. Em 2024, Estados Unidos e Israel foram os únicos países a votar contra a resolução, enquanto houve apenas uma abstenção.
Neste ano, votaram contra a condenação do bloqueio Argentina, Bósnia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Hungria, Israel, Lituânia, Marrocos, Macedônia do Norte, Paraguai, Eslovênia, Trindade e Tobago, Ucrânia, Emirados Árabes Unidos, República Tcheca e Estados Unidos.
Entre os 25 países que se abstiveram estão Chile, Honduras, Guiana, Haiti, Jamaica e Peru, nações latino-americanas que tradicionalmente apoiavam a posição cubana na votação.
A redução no apoio à resolução ocorreu em meio a uma articulação do governo de Donald Trump junto a países aliados para ampliar a rejeição ao texto, segundo informações divulgadas pela representação diplomática cubana.
O bloqueio econômico norte-americano vigora há mais de seis décadas e foi adotado após a Revolução Cubana de 1959. Cuba considera a política contrária ao direito internacional e aponta impactos sobre a importação de medicamentos, alimentos, combustíveis e outros bens essenciais.
Dados apresentados pela embaixada de Cuba no Brasil indicam que mais de 1,5 mil crianças teriam morrido no país devido à falta de medicamentos e de combustível para o funcionamento de incubadoras. A representação também informou que a mortalidade infantil cubana teria passado de 4,4 mortes por mil nascimentos, em 2025, para 9,9 por mil entre 2025 e 2026.
Desde o retorno de Trump à Presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, Washington adotou novas medidas contra a ilha, incluindo restrições relacionadas ao fornecimento de petróleo. Segundo Cuba, o país ficou três meses sem receber carregamentos do produto.
A escassez de combustível agravou os apagões, que podem ultrapassar dez horas em Havana, e afetou o transporte público, a produção industrial, a conservação de alimentos e a prestação de serviços básicos.
Cuba também relata dificuldades para receber mercadorias já adquiridas no exterior. De acordo com a embaixada, mais de 7 mil contêineres estariam retidos em portos de outros países devido ao receio de empresas de transporte sofrerem sanções dos Estados Unidos.
As medidas ainda teriam contribuído para a redução de voos internacionais à ilha, a saída de companhias hoteleiras estrangeiras e o encerramento de operações da Visa no país, com efeitos sobre o turismo, principal setor da economia cubana.
Nas últimas semanas, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou sanções contra empresas ligadas a tecnologias classificadas como sensíveis que mantenham relações com Cuba. Neste mês, a Justiça norte-americana também decretou a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro.
Como resposta às restrições, o governo cubano iniciou uma reforma econômica voltada ao aumento da produção e à redução da dependência externa. Entre as medidas está a ampliação acelerada da geração de energia solar, com apoio da China, além de ações para fortalecer a produção de alimentos.



