# Mato Grosso do Sul promove Semana Estadual de Cuidados Paliativos
Mato Grosso do Sul realiza anualmente, na semana que inclui o segundo sábado de outubro, a Semana Estadual de Cuidados Paliativos. A iniciativa faz parte do calendário oficial desde a publicação da Lei Estadual nº 5.922, de 11 de julho de 2022.
A legislação, proposta pelo deputado estadual Zé Teixeira (PL), prevê ações de conscientização, divulgação de informações e enfrentamento ao preconceito sobre esse tipo de assistência. A medida também busca incentivar a integração dos cuidados paliativos à rede de saúde.
Os cuidados paliativos são destinados a pessoas com doenças graves, progressivas ou que representam risco à vida. A abordagem procura controlar sintomas e preservar o bem-estar, levando em conta aspectos físicos, emocionais, sociais e espirituais dos pacientes.
Esse atendimento pode ajudar no controle de dor, falta de ar, náuseas, fadiga e alterações do sono. Além do paciente, a assistência também inclui apoio aos familiares durante o tratamento e no período de luto.
Ao contrário da associação frequente com o fim das possibilidades terapêuticas, os cuidados paliativos podem começar desde o diagnóstico e ser adotados simultaneamente a tratamentos voltados à cura ou ao controle da doença.
A indicação pode ocorrer em casos de câncer, doenças neurodegenerativas, falência avançada de órgãos, sequelas neurológicas graves e determinadas condições pediátricas. O encaminhamento antecipado é recomendado especialmente em situações de diagnóstico complexo, sintomas de difícil controle, perda acelerada de autonomia, internações recorrentes ou prognóstico reservado.
Em Campo Grande, a Rede do Abraço, da Unimed, oferece atendimento paliativo em ambiente hospitalar e domiciliar. Pacientes internados e familiares podem solicitar avaliação à equipe médica responsável, enquanto profissionais de referência também podem encaminhar casos para assistência em casa.
## Impactos na rotina familiar
A necessidade de cuidados contínuos altera a rotina não apenas dos pacientes, mas também de familiares responsáveis pelo acompanhamento diário.
A moradora de Campo Grande Luiza da Silva Araújo, de 62 anos, vive com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) grave, em estágio 4, e fibrose pulmonar idiopática. Ela necessita de oxigênio suplementar de forma contínua e é acompanhada pelo Hospital São Julião.
Os primeiros sintomas surgiram em 2024, com mal-estar, cansaço, palidez e emagrecimento repentino. Após atendimentos em uma Unidade de Pronto Atendimento e no Hospital Adventista Pênfigo, ela foi internada em UTI inicialmente sob suspeita de Covid-19. Exames posteriores apontaram o diagnóstico de DPOC grave.
Luiza mora com a irmã Leda, responsável pelos cuidados cotidianos, e recebe auxílio da irmã Maura, principalmente nos horários de trabalho da cuidadora principal. A rotina inclui administração de medicamentos, monitoramento da saturação de oxigênio, controle da diabetes e uso de concentrador de oxigênio.
Antes do agravamento da doença, ela frequentava academia ao ar livre, realizava compras e participava de atividades religiosas. Atualmente, mantém atividades em casa, recebe visitas, faz crochê e conserva interesses pessoais, como bijuterias e esmaltes.
## Apoio psicológico e desafios de acesso
O acompanhamento psicológico é apontado como parte importante do suporte a pacientes e familiares diante de diagnósticos graves. Mudanças de planos, medo, incertezas, necessidade de adaptação e novos papéis dentro da família podem gerar sobrecarga emocional.
A assistência psicológica contribui para o acolhimento de pacientes e cuidadores, além de auxiliar na comunicação familiar, no fortalecimento de redes de apoio e na adaptação às mudanças provocadas pela doença.
Apesar da relevância desse atendimento, o acesso aos cuidados paliativos ainda enfrenta limitações. Dados reunidos pela Organização Mundial da Saúde indicam que apenas parte das pessoas que necessitam desse serviço consegue recebê-lo.
No Brasil, o Ministério da Saúde estima que centenas de milhares de pessoas precisem de cuidados paliativos. A disponibilidade de serviços especializados, porém, permanece abaixo dos parâmetros recomendados internacionalmente.
Entre os obstáculos estão a formação de profissionais, a desinformação, o estigma associado ao tema, as desigualdades regionais, a articulação entre os serviços de saúde e a oferta de medicamentos e insumos.
A Semana Estadual de Cuidados Paliativos busca ampliar o debate público sobre a assistência, reforçando a importância de medidas voltadas à qualidade de vida, autonomia, conforto e dignidade de pessoas com doenças graves e de suas famílias.



