domingo, novembro 1, 2026

InícioSaúdeOutubro Rosa: mesmo após o tratamento, o medo do câncer pode continuar

Outubro Rosa: mesmo após o tratamento, o medo do câncer pode continuar

# Pós-tratamento do câncer de mama mantém desafios emocionais e físicos

As ações do Outubro Rosa costumam concentrar informações na prevenção, no diagnóstico e no tratamento do câncer de mama. No entanto, o período posterior ao fim das terapias também pode ser marcado por insegurança, medo de recidiva e necessidade de acompanhamento emocional.

Após meses de consultas, exames, cirurgias, quimioterapia ou radioterapia, muitas pacientes enfrentam uma mudança brusca na rotina de cuidados. Embora o tratamento principal seja concluído, o acompanhamento médico permanece e pode despertar ansiedade, especialmente nos períodos de exames de controle.

A psicóloga clínica Laís Mutuberria Vieira aponta que o suporte emocional pode continuar necessário nessa fase. O medo de o câncer voltar, a redução do contato frequente com equipes de saúde e o afastamento de familiares e amigos após o tratamento estão entre os fatores que podem agravar a sensação de solidão.

Além disso, parte das pacientes permanece em uso de medicamentos por até cinco anos. Fadiga e outros efeitos do tratamento prolongado podem afetar a rotina, a disposição e a qualidade de vida.

As consequências físicas da doença e das intervenções também podem repercutir na autoestima e na vida íntima. Cicatrizes, mastectomia, reconstrução mamária e alterações na sexualidade podem mudar a relação da mulher com o próprio corpo e com parceiros ou parceiras.

A mastologista e radiologista Renata Reis Pinto, que atua no Instituto Nacional de Câncer (Inca), destaca a importância de uma assistência multidisciplinar. Esse suporte pode incluir profissionais de psicologia, assistência social e outras especialidades, para atender demandas emocionais, familiares, profissionais e sociais durante e após o tratamento.

A experiência de Josiane Fernandes, de 48 anos, moradora de Volta Redonda, no sul do Rio de Janeiro, ilustra esse cenário. Ela identificou um nódulo na mama esquerda no início de 2025 e teve o diagnóstico confirmado em março daquele ano. O tratamento, com cirurgia, quimioterapia e imunoterapia, durou cerca de um ano e três meses.

Durante esse período, Josiane enfrentou depressão e precisou de acompanhamento específico. Mesmo após o encerramento das etapas principais do tratamento, ela segue sob acompanhamento médico e relata ansiedade diante de consultas e exames de rotina.

Estimativas do Inca apontam que o câncer de mama é o tipo de tumor mais frequente entre mulheres no Brasil, correspondendo a cerca de 30% dos casos. Para cada ano do triênio de 2026 a 2028, são esperados 78.610 novos diagnósticos no país, com risco estimado de 71,57 casos a cada 100 mil mulheres.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES