quarta-feira, setembro 23, 2026

InícioMundoTrump volta a ameaçar intervenção militar na América Latina durante discurso na...

Trump volta a ameaçar intervenção militar na América Latina durante discurso na ONU

### Trump ameaça usar força militar na América Latina durante discurso na ONU

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (22), durante a abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, que seu governo poderá recorrer ao poder militar para proteger interesses considerados estratégicos por Washington na América Latina e no Caribe.

Em uma fala de quase 40 minutos, Trump citou a atuação dos EUA na Venezuela como exemplo da disposição do país de impedir o avanço de ameaças no Hemisfério Ocidental.

O presidente norte-americano também mencionou a operação realizada na Venezuela em janeiro deste ano, quando forças dos Estados Unidos invadiram o país e prenderam o presidente Nicolás Maduro. A ação foi justificada pela Casa Branca com acusações de que Caracas funcionaria como um narcoestado, argumento contestado por especialistas.

Após a prisão de Maduro, o Departamento de Justiça dos EUA retirou a acusação de que ele comandaria o chamado Cartel de Los Soles, organização cuja existência não é consenso entre analistas. Na semana anterior ao discurso, Washington também retirou a Venezuela da lista de países considerados insuficientes no combate ao narcotráfico, da qual o país fazia parte desde 2005.

Trump comemorou ainda um acordo no setor de petróleo firmado com a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez. O entendimento prevê que uma empresa ligada ao Pentágono tenha acesso ao controle de até 21% da produção petrolífera venezuelana.

Durante a intervenção, o presidente dos EUA voltou a dirigir ameaças a Cuba. Em protesto, a delegação cubana deixou o plenário enquanto Trump discursava.

### Cartéis e México

Trump também equiparou cartéis latino-americanos a grupos terroristas, incluindo o Estado Islâmico. Segundo ele, as Forças Armadas dos Estados Unidos foram mobilizadas para combater essas organizações.

A comparação entre organizações criminosas da América Latina e grupos terroristas tem sido utilizada por integrantes do governo norte-americano ao defender uma postura mais agressiva contra o narcotráfico. Analistas alertam que essa estratégia pode servir de justificativa para interferências dos Estados Unidos na política interna de países da região.

O México foi citado diretamente pelo presidente americano. Trump afirmou manter boas relações com o governo de Claudia Sheinbaum, mas criticou a situação de violência associada aos cartéis no país vizinho.

A presidente mexicana tem criticado medidas de Washington que considera ingerência em assuntos internos e sustenta que o combate ao crime organizado não pode ser usado como justificativa para intervenções estrangeiras.

### Discurso de Lula

Trump falou logo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na abertura da Assembleia Geral, Lula abordou a pressão enfrentada por países da América Latina e do Caribe diante da proximidade com a maior potência militar do mundo.

O presidente brasileiro também citou episódios recentes de interferência externa na Venezuela, no Haiti e em Cuba, além de mencionar riscos relacionados à divisão do mundo em áreas de influência e a iniciativas de caráter neocolonial.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES