domingo, setembro 20, 2026

InícioMundoChina promove conexão e cooperação entre povos por meio de seus grandes...

China promove conexão e cooperação entre povos por meio de seus grandes rios

**Fórum na China aproxima países ligados a grandes rios e debate preservação**

A cidade de Chongqing, no centro industrial da China, sediou nesta semana a 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé. O encontro reuniu pesquisadores, jornalistas e artistas de quase 20 países, entre eles Brasil, Egito, Sérvia, Austrália, Reino Unido, México, Turquia e Coreia do Sul.

Com o tema “Conectando Rios e Mares, compartilhando a sabedoria das civilizações”, o fórum tratou das relações históricas, culturais e ambientais entre sociedades formadas às margens de grandes rios, como Amazonas, Nilo, Danúbio, Mississippi e Yangtzé.

O evento integra a Iniciativa para a Civilização Global, lançada pelo governo chinês em março de 2023. A proposta busca ampliar a cooperação internacional e promover intercâmbios culturais entre os países.

O Brasil participou do encontro com pesquisadores e representantes da imprensa. Chongqing, uma das principais cidades industriais chinesas, tem cerca de 32 milhões de habitantes.

O Yangtzé, com aproximadamente 6,3 mil quilômetros de extensão, é o maior rio da Ásia e liga áreas do interior chinês ao porto de Xangai. Ao lado do Rio Amarelo, é considerado um dos centros históricos da formação da civilização chinesa.

A programação incluiu uma viagem de cerca de 440 quilômetros pelo Yangtzé, com visitas a locais históricos, como a fortaleza de Shibaozhai e o templo de Zhang Fei. Estudos arqueológicos conduzidos na China indicam que o cultivo de arroz na região do rio remonta a quase 10 mil anos.

Especialistas de diferentes países apresentaram experiências relacionadas à gestão de rios. Entre elas, esteve o sistema tradicional de medição das águas do Nilo, utilizado para monitorar variações de nível e antecipar períodos de seca ou enchentes.

### Impactos ambientais no Yangtzé

O desenvolvimento industrial e urbano acelerado da China nas últimas décadas provocou impactos ambientais no Yangtzé. Um dos casos mais conhecidos foi a extinção do golfinho Baiji, espécie de água doce declarada extinta em 2006.

Nos últimos anos, o governo chinês passou a adotar medidas de recuperação ambiental na bacia do rio. Entre as iniciativas está a proibição da pesca profissional no Yangtzé, em vigor por dez anos, além de programas de restauração ecológica.

A política de chamada “civilização ecológica” passou a ocupar espaço central nas diretrizes chinesas a partir de 2012 e foi incorporada à Constituição do país em 2018. O conceito prevê a conciliação entre crescimento econômico e preservação ambiental.

### Intercâmbio com a Amazônia

Como parte da aproximação entre comunidades ligadas ao Yangtzé e ao Amazonas, uma equipe do Centro Internacional de Comunicação do Oeste da China produziu no Brasil um documentário sobre populações ribeirinhas dos dois países. A obra, ainda sem data de lançamento, recebeu o título “Quando o Yangtzé encontra o Amazonas”.

O debate sobre a Amazônia também esteve presente no fórum. Pesquisadores brasileiros destacaram os desafios de combinar geração de renda, infraestrutura e conservação ambiental na região.

A biodiversidade amazônica e os impactos de atividades econômicas sobre rios e florestas foram temas abordados durante o encontro. Entre as alternativas discutidas estiveram o aproveitamento sustentável de produtos da floresta, como açaí e castanha-do-Brasil, e a necessidade de reduzir danos ambientais causados por intervenções em cursos d’água.

O fórum reforçou a intenção da China de ampliar o diálogo internacional sobre a preservação de grandes bacias hidrográficas e sobre o papel dos rios na história, na economia e na vida das populações que dependem deles.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES