domingo, setembro 20, 2026

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Inflação de agosto registra queda de 0,32%, a maior em quatro anos

# IPCA recua 0,32% em agosto com desconto na energia e queda de alimentos

A inflação oficial do país caiu 0,32% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a menor taxa mensal desde agosto de 2022, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) havia recuado 0,36%.

Em julho, o indicador tinha apresentado alta de 0,07%. No acumulado de 12 meses, o IPCA desacelerou de 4,44% para 4,22%, o menor resultado desde março de 2026.

O resultado ficou abaixo da projeção de -0,23% divulgada no Boletim Focus, pesquisa do Banco Central com instituições financeiras. Para o fim de 2026, a estimativa do mercado para a inflação é de 5%.

A meta oficial estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Desde 2025, o cumprimento da meta é medido pela inflação acumulada nos 12 meses anteriores. O objetivo é considerado descumprido quando o índice permanece fora da faixa de tolerância por seis meses consecutivos.

## Energia elétrica teve maior efeito de baixa

Quatro dos nove grupos pesquisados pelo IBGE registraram queda de preços em agosto. A maior deflação foi observada em habitação, com recuo de 1,87% e impacto de -0,29 ponto percentual no IPCA.

O resultado foi influenciado pelo desconto aplicado nas contas de energia elétrica por meio do Bônus de Itaipu. Em média, a tarifa de luz caiu 7,63% no mês, na maior redução para agosto desde o início do Plano Real, em 1994.

O benefício corresponde à distribuição do saldo positivo da conta de comercialização da usina de Itaipu, convertido em créditos nas faturas dos consumidores. Como o desconto foi restrito a agosto, a tarifa de energia tende a voltar a influenciar o índice nos meses seguintes.

## Alimentos e transportes também ficaram mais baratos

O grupo alimentação e bebidas teve deflação de 0,34%, terceira queda consecutiva. Em julho, a redução havia sido de 0,67%, após recuo de 0,24% em junho.

Entre os produtos com maiores quedas no mês estiveram batata-inglesa (-19,89%), cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%), tomate (-10,94%), ovo de galinha (-4,15%) e café moído (-1,86%).

Alimentação e bebidas representam 21,5% da cesta de consumo usada para calcular o IPCA, o maior peso entre os grupos pesquisados.

Nos transportes, a redução foi de 0,86%, puxada principalmente pelas passagens aéreas, que ficaram 13,17% mais baratas e contribuíram com -0,11 ponto percentual para o índice geral.

Os combustíveis também registraram queda média de 0,86%. O etanol recuou 3,95%, o diesel caiu 0,80% e a gasolina, 0,59%. O gás veicular teve alta de 2,62%.

O transporte por aplicativo ficou 4,57% mais barato. O cálculo incluiu uma parcela de variação referente a julho que não havia sido incorporada naquele mês.

## Veja o desempenho dos grupos

– Alimentação e bebidas: -0,34%
– Habitação: -1,87%
– Artigos de residência: 0,64%
– Vestuário: 0,12%
– Transportes: -0,86%
– Saúde e cuidados pessoais: 0,23%
– Despesas pessoais: 1,30%
– Educação: 0,47%
– Comunicação: -0,09%

O índice de difusão, que mede a proporção de itens com aumento de preços, subiu de 50% em julho para 54% em agosto. Isso significa que 54% dos 377 produtos e serviços analisados pelo IBGE tiveram alta no período.

Os preços de serviços avançaram 0,03%, enquanto os itens monitorados, categoria que inclui energia elétrica e combustíveis, caíram 1,26%.

O IPCA calcula a variação do custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. A pesquisa é realizada em regiões metropolitanas, no Distrito Federal e em capitais de diferentes regiões do país.

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