# Dependência em apostas online eleva risco à saúde mental e exige atenção imediata
A dependência em apostas virtuais tem sido associada a quadros de ansiedade, depressão, endividamento e isolamento social. Profissionais de saúde mental alertam que, em situações mais graves, o problema pode vir acompanhado de pensamentos e comportamentos suicidas.
No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado em 10 de setembro, especialistas reforçam a importância de abordar diretamente o sofrimento emocional durante tratamentos de pessoas com jogo problemático.
Entre os sinais de alerta estão a sensação de desesperança, a percepção de não haver saída para os problemas, mudanças bruscas de comportamento, afastamento de familiares e amigos e aumento do consumo de álcool. Menções à morte ou ao desejo de não continuar vivendo exigem busca imediata por ajuda.
Pessoas que procuram atendimento por dependência em jogos frequentemente já enfrentam prejuízos financeiros, ansiedade intensa e humor deprimido. A progressão das perdas pode agravar sintomas psicológicos e ampliar o risco de crises.
O mecanismo de dependência está relacionado ao sistema de recompensa do cérebro. A expectativa de ganhar uma aposta pode provocar liberação de dopamina, reforçando a repetição do comportamento. Com o tempo, esse estímulo pode interferir no controle de decisões e tornar mais difícil interromper as apostas.
As plataformas digitais ampliam a exposição ao jogo por estarem disponíveis praticamente durante todo o dia em celulares e outros dispositivos. A presença de propagandas, conteúdos em redes sociais e associações com eventos esportivos também contribui para a normalização das apostas.
O comportamento costuma começar como entretenimento ou tentativa de obter ganhos financeiros. Em alguns casos, porém, a pessoa passa a aumentar os valores apostados para tentar recuperar perdas anteriores e pode esconder a situação da família.
Esse ciclo pode resultar em dívidas, conflitos familiares, dificuldades no trabalho, insônia, culpa, vergonha e afastamento social. Quando o sofrimento se intensifica, pode haver agravamento de transtornos como depressão e ansiedade.
O acompanhamento pode envolver atendimento psiquiátrico, psicológico, participação da família e outras estratégias de cuidado, como atividade física e suporte social. A identificação precoce do problema é considerada essencial para evitar o agravamento do quadro.
Desde janeiro de 2025, as empresas autorizadas a operar no mercado federal regulado de apostas passaram a seguir regras específicas voltadas à proteção do consumidor e ao jogo responsável. O enfrentamento do jogo problemático depende de ações articuladas entre poder público, reguladores, empresas, entidades e sociedade.
Em caso de risco de suicídio, a pessoa não deve permanecer sozinha. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atende pelo telefone 192.
Para apoio emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia. A Rede de Atenção Psicossocial do SUS também disponibiliza atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).



