quarta-feira, setembro 23, 2026

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Familiares homenageiam legado da primeira medalha paralímpica brasileira

# Brasil celebra 50 anos da primeira medalha paralímpica conquistada em Toronto

O Brasil completou 50 anos de sua primeira medalha em Jogos Paralímpicos, resultado que marcou o início de uma trajetória que levou o país ao grupo das cinco principais potências do esporte adaptado. Nos Jogos de Paris, em 2024, a delegação brasileira terminou pela primeira vez entre as cinco melhores do quadro geral.

Desde a estreia no pódio, o Brasil acumulou 462 conquistas em Paralimpíadas. A medalha inaugural foi obtida em 6 de agosto de 1976, durante os Jogos de Toronto, no Canadá.

Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa conquistaram a prata na disputa de lawn bowls, modalidade semelhante à bocha e que não faz mais parte do programa paralímpico. Os brasileiros ficaram atrás da dupla australiana formada por Eric Magennis e Bruce Thwaite. O bronze foi dos britânicos David Avis e Michael McCreadie.

As medalhas da histórica campanha foram expostas no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, em homenagem aos pioneiros do movimento no país.

Robson e Luiz Carlos viajaram a Toronto inicialmente para competir no basquete em cadeira de rodas. Naquele período, os atletas podiam participar de mais de uma modalidade e acabaram incluídos no lawn bowls. Robson tinha experiência prévia com o boliche convencional, enquanto Luiz Carlos também atuava no suporte técnico de cadeiras de rodas em competições internacionais.

Os dois se conheceram no Clube do Otimismo, instituição criada por Robson em 1958, no Rio de Janeiro. O local atendia pessoas com deficiência que não tinham recursos para processos de reabilitação.

Robson ficou paraplégico após sofrer um acidente de trabalho em uma fábrica de papel nos Estados Unidos, onde teve a coluna comprimida por um rolo industrial. Com a indenização recebida, fundou o clube e passou a atuar pela inclusão de pessoas com deficiência no esporte e no mercado de trabalho. Ele morreu em 1987.

Luiz Carlos, conhecido como Curtinho, tem 79 anos e está em tratamento contra Alzheimer.

A estrutura do esporte paralímpico brasileiro se ampliou nas décadas seguintes. O Comitê Paralímpico Brasileiro foi fundado em 1995 e, três anos depois, passou a integrar o Sistema Nacional do Desporto por meio da Lei Pelé.

Em 2001, a Lei Agnelo Piva estabeleceu o repasse de recursos das loterias federais ao esporte. Atualmente, 2,7% da arrecadação é destinada ao financiamento esportivo, com 15% desse montante reservado ao paradesporto e 85% direcionados ao Comitê Olímpico do Brasil.

Outro marco foi a criação do Centro de Treinamento Paralímpico, em 2016, como legado dos Jogos do Rio. Além de receber atletas de alto rendimento, a estrutura oferece iniciação gratuita em modalidades adaptadas para jovens de 7 a 17 anos com deficiências física, visual e intelectual.

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